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O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira, 6, que ainda é “prematuro” discutir qualquer reunião de alto nível com Israel, esfriando expectativas de uma aproximação diplomática incentivada pelos Estados Unidos.
A declaração contraria planos do presidente americano, Donald Trump, que havia mencionado a possibilidade de sediar um encontro entre líderes dos dois países, e reforça o impasse em meio os confrontos na fronteira sul libanesa.
Em declarações divulgadas pela agência estatal libanesa, Salam destacou que qualquer avanço nas negociações dependerá de um fortalecimento do cessar-fogo entre o Líbano e Israel. Segundo ele, o foco imediato deve ser garantir estabilidade no terreno antes de discutir encontros políticos de maior peso.
O premiê também estabeleceu um cronograma claro para que tropas israelenses deixem o sul do país, segundo ele, condição mínima para a retomada de conversas. “Nossa demanda básica é um calendário para a retirada de Israel”, afirmou.
A posição é compartilhada pelo presidente libanês, Joseph Aoun, que também indicou que “não é o momento adequado” para uma reunião com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Para Aoun, um acordo de segurança e o fim dos ataques também são pré-requisitos para qualquer encontro entre líderes.
Articulação dos EUA
As declarações representam um revés para os esforços diplomáticos de Washington. No mês passado, Trump afirmou ver uma “grande chance” de um acordo de paz ainda neste ano e disse esperar receber Aoun e Netanyahu na Casa Branca em breve.
Salam afirmou que o Líbano não buscava “a normalização das relações com Israel, mas sim alcançar a paz”.
Washington sediou, no mês passado, dois encontros entre os embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos. O Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã, que tem força própria em seu país, se opõe veementemente a esses contatos.
Confrontos continuam
Apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos anunciado em abril, os combates seguem intensos no sul do Líbano. Israel estabeleceu uma “zona de segurança” que avança 10 quilômetros adentro do território libanês, alegando necessidade de proteger suas comunidades no norte israelense contra ataques do Hezbollah.
Nesta quarta-feira, um ataque aéreo matou quatro libaneses na cidade de Zelaya, incluindo duas mulheres e um idoso, segundo o Ministério da Saúde do país. Enquanto isso, o Exército israelense afirmou que o Hezbollah lançou drones explosivos e foguetes contra suas tropas, ferindo dois soldados.
Desde o início do conflito, em março, mais de 2.700 pessoas morreram no Líbano, de acordo com dados oficiais. Do lado israelense, ao menos 17 militares e dois civis foram mortos, enquanto centenas de projéteis foram disparados contra o país.