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O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos identificou a guerra no Irã como uma das possíveis motivações por trás da tentativa de assassinar o presidente Donald Trump em abril, durante um jantar com jornalistas da Casa Branca. Informações divulgadas pela agência de notícias Reuters nesta quarta-feira, 6, apontam que um relatório oficial identificou a insatisfação com o conflito como possível fator desencadeante para o ataque.
Produzido pelo Escritório de Inteligência e Análise do DHS, o relatório de 27 de abril indica que o responsável pelo atentado, Cole Allen, tinha “múltiplas queixas sociais e políticas” relacionadas à gestão Trump. Ao analisar as redes sociais de Allen, os investigadores descobriram diversas postagens criticando as ações americanas na guerra, levando à conclusão de que o confronto “pode ter contribuído para sua decisão de realizar o ataque”.
O documento foi distribuído para agências policiais estaduais e outros órgãos federais após o incidente no final de abril. Foi obtido pela Reuters através de pedidos de acesso à informação feitos pela ONG Property for the People. Oficialmente, as autoridades americanas têm adotado uma posição de silêncio sobre a motivação do suspeito.
Um alto funcionário do FBI afirmou, sob condição de anonimato, que a agência tem examinado detalhadamente as redes sociais de Allen e mapeou uma série de postagens anti-Trump feitas em uma conta na rede social BlueSky nas semanas que antecedem o tiroteio. Além de críticas às ações americanas no Irã, as publicações também criticaram as políticas migratórias trumpistas, o magnata Elon Musk — que esteve à frente do Departamento de Eficiência Governamental, uma força-tarefa do governo americano — e a guerra na Ucrânia.
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Entenda o ataque
Engenheiro mecânico formado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, Cole Allen, 31, tentou invadir o tradicional jantar entre Trump e jornalistas no Washington Hilton Hotel, no dia 25 de abril. Ele chegou a entrar em confronto com agentes do serviço secreto, causando uma mobilização para retirar o presidente às pressas do evento.
Posteriormente, um manifesto redigido por Allen e enviado a seus familiares foi divulgado ao público. Nela, afirmava ter o objetivo de matar autoridades do governo Trump e disse que “passaria por praticamente qualquer pessoa para chegar aos alvos”. Ele também definiu o republicano como um “pedófilo, estuprador e traidor” e disse que os presentes no evento seriam seus “cúmplices”.
Na terça-feira 5, o Departamento de Justiça dos EUA acrescentou agressão a um agente federal entre as acusações contra Allen. De acordo com o órgão, ele teria disparado contra um membro do Serviço Secreto em um posto de controle de segurança. O suspeito já responde por tentativa de assassinato, disparo de arma de fogo durante crime violento e transporte ilegal de arma de fogo e munição por fronteiras estaduais.