A Âmbar Energia, braço do grupo J&F, dos irmãos Batista, assinou uma opção de compra sobre projetos da Evolution Power Partners (EPP) no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, em movimento que pode redesenhar o mapa dos vencedores do certame, apurou a CNN com fontes a par do assunto.

No total, a operação envolve cerca de 1,65 gigawatt (GW) em projetos que haviam sido arrematados pela EPP, empresa que está no centro das investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre risco de não entrega e possíveis irregularidades concorrenciais no leilão.

Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, a negociação reflete a atratividade econômica dos contratos firmados no certame. “Os PPAs foram tão bons que as empresas ‘bidaram’ e agora estão reciclando”, afirmou, sob condição de anonimato.

Até o momento, Âmbar e EPP não comentaram oficialmente a operação.

Reciclagem de ativos reacende debate

A movimentação reforça uma das principais críticas levantadas por agentes do setor e órgãos de controle: a possibilidade de o leilão ter atraído empresas interessadas não necessariamente em construir e operar usinas, mas em estruturar projetos para posterior venda.

Esse comportamento já havia sido observado no Procedimento Competitivo Simplificado (PCS) de 2021, quando projetos originalmente contratados foram transferidos a outros agentes após dificuldades de execução. O assunto foi motivo de debate pelo ministro Bruno Dantas sobre a atuação de “geradoras de papel”, agentes que apresentam lances e vencem leilões, mas não possuem capital próprio compatível com os investimentos ou estrutura técnica para a execução.

O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) contratou 18,97 GW (gigawatts) de potência, com investimento total estimado em R$ 64,5 bilhões, mas deixou mais de meio trilhão de reais em encargos para os consumidores.

Uma das críticas é que o certame teve deságio de apenas 5,52% em relação aos preços iniciais estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) por conta da baixa concorrência. 

A movimentação ocorre após a Âmbar ter uma derrota recente na tentativa de anular parte do leilão. A empresa teve recursos negados na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ao questionar aspectos do certame.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *