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O governo americano acredita estar próximo de um acordo com o Irã para encerrar a guerra, informaram o portal de notícias Axios e a agência de notícias Reuters nesta quarta-feira, 6, após dias de tensões elevadas no Estreito de Ormuz que arrefeceram inesperadamente após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender uma operação militar para escoltar navios através da nevrálgica rota marítima com objetivo de “dar espaço” às negociações.
De acordo com reportagem do Axios, os países estão prestes a fechar um “memorando de entendimento” de uma página, com 14 pontos, que encerraria o conflito em curso, além de estabelecer uma estrutura para negociações posteriores mais detalhadas, incluindo sobre o programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos esperam respostas iranianas sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas e nada foi acordado ainda, mas fontes do governo americano disseram ao site que este é o momento em que as partes chegaram mais perto de um acordo desde o início das hostilidades. Os principais negociadores americanos são os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, que se comunicam com diversos funcionários iranianos (diretamente e por meio de mediadores).
Uma fonte do Paquistão, país que atua como mediador, também disse à Reuters que Washington e Teerã estão perto de finalizar o tal memorando de uma página. “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos chegando perto”, disse a autoridade, acrescentando que o Ministro das Relações Exteriores paquistanês está trabalhando para garantir que o acordo leve a um “fim permanente” do conflito.
O que está no acordo?
Entre outras disposições, o memorando envolveria o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, ao passo que os Estados Unidos suspenderiam sanções, com a liberação de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas no exterior. Ambos os lados concordariam em suspender todas as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz, segundo o Axios.
O acordo encerraria a guerra na região, dando início de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas — período durante o qual as restrições iranianas à navegação por Ormuz e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos. As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou Genebra, afirmou o site.
A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, em 11 de abril, que terminou em fracasso, os Estados Unidos exigiram uma pausa de 5 anos e o Irã ofereceu 5, proposta já descartada. Agora, segundo o Axios, fala-se entre 12 e 15 anos. Washington, além disso, deseja inserir uma cláusula segundo a qual qualquer violação das normas de enriquecimento prolongaria a moratória, enquanto Teerã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67% após o término da proibição.
No mesmo entendimento, a República Islâmica se comprometeria a jamais ter uma arma nuclear e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais das Nações Unidas, segundo uma das fontes consultadas pelo portal americano.
Incertezas
Muitos dos termos estabelecidos no memorando, porém, estariam condicionados à obtenção de um acordo final, deixando em aberto a possibilidade de uma retomada da guerra ou de um longo limbo em que o conflito armado tenha cessado, mas nada esteja realmente resolvido.
De acordo com o Axios, a Casa Branca acredita que a liderança iraniana está dividida e que pode ser difícil chegar a um consenso entre as diferentes facções. Alguns dentro do governo americano continuam céticos quanto à possibilidade de se chegar sequer a um acordo inicial.
No entanto, as duas autoridades que conversaram com o portal de notícias disseram que a decisão do presidente Donald Trump de suspender o “Projeto Liberdade”, operação militar para escoltar navios através do Estreito de Ormuz, e evitar o colapso do frágil cessar-fogo está conectada ao progresso das negociações.
“Não precisamos ter o acordo final redigido em um dia”, disse na terça-feira o secretário de Estado americano, Marco Rubio. “Isso é extremamente complexo e técnico. Mas precisamos de uma solução diplomática que seja muito clara sobre os tópicos que eles estão dispostos a negociar e a extensão das concessões que estão dispostos a fazer inicialmente para que valha a pena”, acrescentou.