A Associação de Tenistas Profissionais (PTPA) afirmou que o impasse em torno da premiação de Roland Garros evidencia exatamente por que a entidade vem contestando a forma como o tênis é administrado. Segundo o grupo, sem reformas estruturais, o esporte seguirá preso a ciclos de disputas e avanços graduais.

Jogadores de elite têm pressionado por uma fatia maior das receitas do torneio francês, cuja premiação total é de 61,7 milhões de euros — cerca de R$ 304,8 milhões na cotação atual —, valor ainda inferior ao dos outros três Grand Slams, mesmo após um aumento de 9,5% previsto para 2026.

Aryna Sabalenka e outros nomes de destaque manifestaram “profunda decepção” em comunicado divulgado nesta semana e indicaram a possibilidade de boicote caso a diferença em relação ao Australian Open, ao US Open e a Wimbledon não seja reduzida.

“Elogiamos e apoiamos totalmente os jogadores por se posicionarem e lutarem pelo que merecem: uma divisão justa das receitas que ajudam a gerar”, afirmou a PTPA em nota enviada à Reuters. “Há mudanças estruturais profundas e urgentes necessárias no tênis.”

O Australian Open ofereceu uma premiação recorde de 111,5 milhões de dólares australianos — cerca de R$ 551,8 milhões — em janeiro. Já o US Open distribuiu US$ 90 milhões (aproximadamente R$ 444,6 milhões), enquanto Wimbledon pagou 53,5 milhões de libras (cerca de R$ 264,3 milhões) em 2025.

A Reuters procurou os organizadores de Roland Garros, que começa em 24 de maio, mas ainda não houve resposta.

O torneio francês informou no mês passado que pretende reforçar o apoio financeiro às fases qualificatórias e às primeiras rodadas da chave principal, com aumentos mais significativos na premiação para jogadores que mais necessitam custear a temporada.

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Os Grand Slams operam sob modelos financeiros diferentes dos circuitos da ATP e da WTA, com premiações definidas de forma independentemente, e não por um sistema centralizado.

Sabalenka afirmou que os jogadores são, sem dúvida, o principal atrativo dos maiores torneios do esporte e, por isso, merecem uma parcela maior das receitas. Ela apoiou a proposta de uma divisão de 22%, alinhada ao que ATP e WTA oferecem em eventos combinados de nível 1000.

“Sinto que o espetáculo depende de nós”, disse a tetracampeã de Grand Slam, em Roma,. “Sem nós, não haveria torneio nem entretenimento. Com certeza merecemos receber mais.”

Embora o embate atual seja liderado por grandes estrelas, jogadores de ranking mais baixo há anos afirmam que a estrutura de premiação impacta diretamente sua capacidade de arcar com custos de viagens, treinadores e despesas médicas ao longo de um calendário intenso de 11 meses.

Outros problemas

A discussão também trouxe à tona outras preocupações urgentes. Jogadores afirmaram nesta semana que propostas relacionadas ao bem-estar da categoria não receberam resposta e que não há progresso significativo rumo a uma representação mais justa nas decisões dos Grand Slams.

As críticas refletem pontos que estão sob análise em uma ação coletiva movida pela PTPA no ano passado. A entidade foi cofundada em 2020 por Novak Djokovic e Vasek Pospisil com o objetivo de representar os atletas e impulsionar mudanças no esporte.

“O tênis está ficando para trás em relação a outros esportes globais em todos os indicadores relevantes por causa de sua estrutura”, acrescentou a PTPA. “Enquanto isso não for tratado de forma direta e abrangente, o progresso continuará sendo gradual, e os jogadores seguirão presos ao mesmo ciclo, pressionando por mais premiação temporada após temporada.”

“É exatamente isso que a PTPA e o processo contra os Grand Slams e os circuitos da ATP e da WTA pretendem mudar.”



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