O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a cooperação entre seu país e a China “será mais forte do que nunca”, informou a mídia estatal iraniana após um encontro com seu homólogo chinês em Pequim, nesta quarta-feira (6).

Durante a reunião com o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, Abbas Araghchi chamou Pequim de “um amigo sincero de Teerã”, informou a agência de notícias Mehr.

Ele também disse que “nas circunstâncias atuais, a cooperação entre os dois países será mais forte do que nunca”, relatou a agência.

A ISNA, outra agência de notícias estatal iraniana, informou que Araghchi teria dito na reunião que Teerã “só aceitaria um acordo justo e abrangente” com os EUA.

A China ainda não divulgou um comentário oficial sobre o encontro, que marca a primeira vez que os ministros das Relações Exteriores dos dois aliados próximos se reúnem desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.

As conversas acontecem antes do encontro do presidente dos EUA, Donald Trump, com o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, na próxima semana.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.600 morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando-a como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.



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