A banda australiana Men At Work irá realizar uma turnê de sete dias por grandes capitais do Brasil começando com São Paulo, nesta quarta-feira (6).
A vinda dos músicos para o país fez com que fosse lembrado um episódio de 2010, quando eles foram condenados por plágio do famoso solo de flauta em “Down Under”, o hino do rock australiano, que copiou uma popular cantiga infantil sobre um pássaro kookaburra, escrita em 1932.
Em janeiro de 1983, o single já havia alcançado o topo das paradas musicais na Austrália, nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, no Canadá e em diversos países europeus.
A batalha judicial que resolveu o caso durou três anos e começou com uma pergunta de curiosidade no programa de perguntas e respostas australiano “Spicks & Specks”. Na ocasião, os participantes foram questionados sobre qual canção folclórica australiana podia ser ouvida no single de sucesso lançado originalmente em 1979.
A resposta era “Kookaburra”, uma cantiga escrita pela professora Marion Sinclair para um concurso da Girl Guides Association of Victoria. A popularidade entre as bandeirantes garantiu o sucesso instantâneo da música e, 70 anos depois, ela ainda é entoada em escolas e pátios da Austrália.
O grupo musical australiano Larrikin Publishing comprou os direitos autorais da canção em 1990, após a morte de Sinclair em 1988. Foi apenas com o programa de TV em 2007 que o diretor-executivo da Larrikin, Norman Lurie, percebeu as semelhanças entre as músicas e o potencial para um processo judicial.
“Down Under” foi composta e interpretada por Colin Hay, membro fundador do Men at Work, em 1978. Greg Ham adicionou o riff de flauta após se juntar à banda em meados de 1979. De acordo com documentos judiciais, Ham incluiu o trecho para injetar um “sabor australiano” na faixa.
Ele admitiu que ouvia a canção enquanto crescia no país no final dos anos 1950 e tinha “quase certeza” de que “Kookaburra” estava no cancioneiro de sua escola.
Foi definido, então, que a Men at Work deveria pagar 5% dos royalties de seu sucesso dos anos 80. A Larrikin havia solicitado entre 40% e 60% dos royalties auferidos por “Down Under” na Austrália desde 20 de maio de 2002, o limite imposto pela legislação australiana.
“É uma pena que Marion Sinclair, a autora da música, não tenha recebido os lucros obtidos com ela quando estava no auge do sucesso, no início dos anos 80”, disse Adam Simpson, advogado de Larrikin, em 2010.
*Com informações de Hilary Whiteman, da CNN Internacional