
Em depoimento à Polícia Civil, os cinco suspeitos de estuprar duas crianças em São Paulo e divulgar vídeos do abuso disseram que o ato consistiu em uma “brincadeira”. De acordo com as autoridades, nenhum dos investigados — quatro adolescentes e um adulto — demonstrou sinais de arrependimento em relação ao crime cometido.
“Todos confessaram e vieram com a alegação de se tratar de uma brincadeira que tomou o rumo errado. Ouvimos em algum momento a palavra ‘zoeira’, mas realmente foram atos de sadismo”, disse o delegado Júlio Geraldo, titular do 63º Distrito Policial (DP), durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 5. “Nós não sentimos qualquer espécie de remorso. Na verdade, o que a gente percebe é uma insensibilidade diante do sofrimento”, acrescentou.
O bárbaro crime de estupro coletivo ocorreu em 21 de abril no bairro União de Vila Nova, na zona leste de São Paulo. As vítimas são dois meninos de sete e dez anos de idade e os suspeitos são quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, e Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos.
Segundo as investigações, todos os envolvidos são moradores da região e já se conheciam antes do crime. Os suspeitos teriam atraído os meninos para a casa de um dos adolescentes sob a desculpa de que iriam empinar pipa, e depois dominaram as vítimas e praticaram o abuso. “As vítimas confiavam nesses autores, o que torna ainda mais grave a conduta”, diz o delegado.
Após a agressão sexual, os criminosos divulgaram os vídeos em grupos de redes sociais da região, e o conteúdo vazou para toda a internet. A investigação começou depois que a irmã de uma das vítimas identificou o menino e acionou as autoridades — o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil, já detectou ao menos 58 contas que compartilharam abertamente as publicações e solicitou às plataformas digitais que derrubem os perfis.
Adulto que gravou o estupro fugiu e foi preso na Bahia
Único maior de idade investigado, Alessandro dos Santos é apontado como o mentor do estupro e responsável por gravar e divulgar os vídeos do abuso nas redes sociais. Segundo a polícia, ele fugiu em meio à repercussão do crime na imprensa e tentou se esconder na casa de parentes na Bahia, mas foi preso no município de Jequié no último sábado, 2, e transferido para São Paulo nesta terça-feira.
De acordo com os investigadores, Alessandro foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, corrupção de menores e divulgação de abuso sexual infantil. Dos quatro adolescentes, três se entregaram na semana passada e um se apresentou às autoridades ontem — eles foram ouvidos e apreendidos e serão julgados conforme as previsões do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).