Horas após ser alvo de novos comentários mordazes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o papa Leão XIV afirmou nesta terça-feira, 5, que deseja “simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus”. A declaração ocorre às vésperas da visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao Vaticano. O encontro do líder da Santa Sé com o chefe da diplomacia americana, católico devoto, abordará questões relacionadas ao Oriente Médio e América Latina — pontos de discordância entre o pontífice e o republicano.

“A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz”, disse o primeiro papa americano. “Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho… espero simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus.”

Trump voltou a atacar Leão em entrevista ao programa de rádio The Hugh Hewitt Show nesta terça. O mandatário da Casa Branca acusou o papa de “colocar muitos católicos em perigo”, já que “prefere falar sobre o fato de que não há problema em o Irã ter uma arma nuclear, e eu não acho isso muito bom”. 

Natural de Chicago, no norte dos EUA, Leão XIV tem tido rusgas públicas com o governo Trump ao longo de seu primeiro ano de mandato. Em março, o papa afirmou que Deus rejeita as orações de “líderes com as mãos cheias de sangue”, em uma aparente resposta a comentários anteriores do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que utilizou crenças cristãs para justificar o conflito no Irã.

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Trump x Leão XIV

O embate entre os dois escalou em abril, quando Trump disse que não queria “um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por eu estar fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, com uma vitória arrasadora: reduzir o crime a níveis recordes e criar o maior mercado de ações da história”. O republico também apontou que Leão deveria ser grato a ele por ter conseguido o mais alto posto da Igreja Católica.

“Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano. Infelizmente, Leão é fraco no combate ao crime e fraco em relação a armas nucleares — e isso não me agrada. Também não me agrada o fato de ele se reunir com simpatizantes de Obama, como David Axelrod, um perdedor da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos”, disse.

Leão, porém, continuou a criticar líderes que usam da fé em função do poder: “Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seus próprios ganhos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a imundície”, disparou. Apesar das discordâncias públicas com o mandatário da Casa Branca, o papa destacou que não tem “a intenção de entrar em um debate” com Trump e que seu real interesse estava em “promover a paz”.

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