
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, rejeitou nesta segunda-feira, 5, a informação de que o Irã estaria usando golfinhos como armas em ataques a navios no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada por Teerã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
“Não posso confirmar ou negar que nós (os EUA) não temos os ‘golfinhos kamikaze’, mas posso confirmar que eles (o Irã) não têm”, afirmou o chefe do Pentágono.
A declaração contradiz uma reportagem do jornal americano The Wall Street Journal publicada na última sexta-feira, 1º, que indicava o uso militar dos animais pela República Islâmica em uma das regiões mais sensíveis do comércio global.
A hipótese, embora negada por Washington, não surge do nada. Relatos históricos indicam que o Irã adquiriu, no ano 2000, golfinhos treinados pela antiga Marinha soviética para fins militares. Esses animais teriam sido preparados para missões de combate, incluindo o uso de dispositivos acoplados ao corpo, como arpões.
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Ameaças a cabos submarinos
Muito além da curiosidade envolvendo os animais, a preocupação central está na ampliação do conflito. Segundo a mesma reportagem do WSJ, o Irã avalia medidas mais agressivas, como atingir cabos submarinos de telecomunicações — infraestrutura crítica para o funcionamento da internet global.
A agência de notícias iraniana Tasnim chegou a divulgar mapas desses cabos na região, gesto interpretado por analistas como um aviso estratégico. Além disso, Teerã considera o uso de submarinos e outras armas ainda não empregadas no conflito, numa tentativa de responder ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
O pano de fundo dessa escalada é o impacto direto do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. A interrupção da rota já provocou um choque severo no mercado global de energia, com retirada massiva de petróleo do mercado e efeitos em cadeia sobre alimentos, indústria e inflação.
A ofensiva de Washington também atingiu diretamente a estratégia iraniana de driblar sanções. O bloqueio reduziu drasticamente a circulação dos chamados “navios fantasmas”, usados para manter exportações de petróleo, especialmente para a China. Dentro do Irã, setores políticos já classificam a medida como um ato de guerra.