Belo Horizonte – Em assembleia realizada na tarde desta terça-feira (5/5), na Praça da Estação, na região central, trabalhadores da rede municipal de ensino de Belo Horizonte decidiram, por ampla maioria, manter a greve por tempo indeterminado. A paralisação, que já entra na segunda semana, reúne cerca de 850 profissionais e deve continuar com novas mobilizações nos próximos dias.
A decisão ocorre em meio a críticas à condução das negociações por parte da prefeitura. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH), há falta de diálogo com a gestão do prefeito Álvaro Damião (UNIÃO) e da Secretaria Municipal de Educação, o que tem intensificado o movimento grevista.
Firminia Rodrigues, diretora colegiada do Sind-REDE, afirmou ainda que o sindicato tenta negociar com a administração municipal desde janeiro, sem avanços. “Estamos tentando negociar desde meados de janeiro, mas a Secretaria de Educação não nos recebe para discutir as pautas pedagógicas e financeiras. A negociação é inexistente”, declarou.
Ela acrescenta que nenhum dos ofícios enviados pela categoria foi respondido até o momento. “Uma parte da greve é justamente para forçar essa negociação, para que a prefeitura sente conosco e dialogue”, completou.
Entre as principais reivindicações estão a carência de profissionais de apoio nas escolas, a sobrecarga de trabalho, a falta de transparência na gestão e críticas ao projeto de ensino integral proposto pela administração municipal, que também envolve a secretária Natália Araújo.
Segundo Firminia Rodrigues, uma das maiores preocupações da categoria é a proposta de reorganização do ensino integral, que prevê a substituição de professores por monitores em parte dos turnos. “Existe a intenção de substituir professores por monitores em um dos turnos do ensino integral”, afirmou.
Declarações recentes do prefeito também aumentaram a tensão. Ao comentar as paralisações, Álvaro Damião afirmou que os movimentos “já estão ficando chatas” e que a cidade “não pode parar”. Para o comando de greve, a fala foi interpretada como desrespeitosa e distante da realidade enfrentada nas escolas.
Firminia também criticou mudanças relacionadas ao atendimento de alunos com deficiência. De acordo com ela, a prefeitura teria contratado organizações sociais para assumir parte do atendimento pedagógico especializado, o chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Para o sindicato, essa medida abre espaço para um processo de precarização e possível privatização do serviço público. “Isso pode abrir brecha para a retirada da exclusividade do concurso público e a substituição de profissionais concursados”, disse.
No campo financeiro, a dirigente apontou outro ponto central da greve: a recomposição salarial da categoria. Segundo ela, os trabalhadores acumulam perdas ao longo dos últimos anos e reivindicam o reajuste do piso nacional da educação, em torno de 5%. No entanto, a proposta da prefeitura seria inferior, baseada em índices próximos da inflação, em torno de 3%.
O sindicato da categoria afirma que a paralisação é necessária para garantir melhores condições de trabalho e qualidade no ensino público. “A educação não pode ser tratada como mercadoria”, defendem representantes do movimento.
Como próximos passos, os profissionais aprovaram um calendário de mobilizações que inclui atividades regionais nos bairros, com o objetivo de dialogar com pais, alunos e a população em geral, além de intensificar a pressão política pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação.
Apesar do impasse, o sindicato afirma que permanece aberto ao diálogo, desde que a Secretaria Municipal de Educação apresente propostas concretas que atendam às demandas da categoria e garantam avanços tanto para os trabalhadores quanto para a qualidade pedagógica nas escolas.