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Após ter gerado um racha na direita cearense, interrompendo a negociação de uma aliança entre os bolsonaristas e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), em dezembro do ano passado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar o tucano abertamente na noite desta segunda-feira, 4.

Em uma publicação nas redes sociais, ela relembrou um discurso de Ciro Gomes no qual ele fazia ataques e insinuações ao marido dela e ex-presidente, Jair Bolsonaro. “E ainda há pessoas da ‘direita’ apoiando esse indivíduo”, escreveu Michelle junto ao conteúdo.

No vídeo, Ciro xinga Bolsonaro de jumento, burro, imbecil e tenta traçar um panorama de análise sobre seus atos públicos em pontos como sua relação com as Forças Militares, a questão ambiental e até seus posicionamentos homofóbicas.

“Para entender o Bolsonaro, a gente tem que entender a psicologia de um homem quase doente. O Bolsonaro tem ódio ao estamento militar. Paixão… Mas ele foi expulso [do Exército], ele quebrou a hierarquia, falou contra seus superiores. E ele está estabelecendo uma espécie de vendita. Se você quiser entender o Bolsonaro, você vai ver várias coisas… Por que o Bolsonaro tem esse ódio anti-intelectual? Porque ele é curto, a capacidade de raciocínio dele é abstrata, ele é quase um burro, quase um jumento, um cara imbecíl mesmo. E, aí, ele tem ódio aos letrados. Ele tem horro a isso. Por que o Bolsonaro quer transformar a baía de adágio de Angra dos Reis numa nova Cancún? Porque ele foi multado pescando ilegalmente lá. Ele tem horror à questão ambiental. E essa coisa do gay, de piada com o tamanho do pênis dos orientais, ele não tira isso da cabeça. Isso tudo é um problema de armário”, diz Ciro no vídeo compartilhado pela ex-primeira-dama.

Em meio à posição de Michelle contrária a Ciro e a qualquer apoio a ele, os articuladores de uma aproximação evitam falar dessa aliança publicamente (e inclusive o próprio Ciro Gomes), mas a compreensão nos bastidores da política cearense é de que o acordo tem avançado silenciosamente.

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Nomes atualmente bastante ligados a Ciro Gomes, como o deputado federal Danilo Forte (PP-CE) disse para VEJA que não vê outra possibilidade eleitoral viável para o PL no Ceará se não estiver na chapa do tucano, que hoje lidera as intenções de voto contra o governador petista, Elmano de Freitas. E mesmo nomes ligados a Michelle, como o senador Eduardo Girão (Novo-CE), que tem a candidatura ao governo apoiada por ela, reconhecem uma inviabilidade de compor com o PL local pelo fato de o acordo com Ciro já estar muito bem esquematizado.

A tal aliança é defendida pelo deputado André Fernandes (PL-CE), líder do PL local, pelos filhos de Jair Bolsonaro, Flávio, Eduardo e Carlos, e, supostamente, pelo próprio ex-presidente (que nunca teve a oportunidade de falar sobre isso em público — já que está preso, cumprindo condenação de mais de 27 anos por tentativa de golpe de estado).

O acerto que caminha para ser feito é o de que o pai de André Fernandes, Alcides Fernandes (PL-CE), deverá ocupar uma das duas vagas ao Senado na chapa de Ciro, ao lado do ex-deputado Capitão Wagner (União-CE).

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Aliados de Ciro Gomes dizem que ele pretende abrir um grande palanque antipetista no estado, recebendo o apoio de qualquer um que tenha a intenção de derrotar o PT e abrindo espaço para qualquer presidenciável de oposição a Lula.

Há quem fale até de uma tentativa de aproximação a Ciro da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), a mais votada do Nordeste na eleição de 2024 e vice-presidente do PL Mulher, ao lado de Michelle. Nome próximo da ex-primeira-dama e cotada até para ser vice de Flávio, ela já esteve presente em eventos do União Brasil, partido fechado com o tucanato cearense, em que Ciro Gomes esteve presente e discursou.



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