
Novas informações divulgadas nesta terça-feira, 3, sobre a queda de um avião da China Eastern Airlines, em março de 2022, indicam que o combustível da aeronave foi cortado ainda em altitude de cruzeiro, antes do mergulho quase vertical que matou 132 pessoas. As revelações, extraídas de uma das caixas-pretas e divulgadas pela National Transportation Safety Board (NTSB), órgão responsável por investigar acidentes de transporte nos Estados Unidos, sugerem que o desastre pode não ter sido acidental.
Segundo os registros de voo, o avião voava a cerca de 8.839 metros quando os interruptores de combustível dos dois motores foram colocados na posição de corte. A ação interrompe o fluxo necessário para o funcionamento das turbinas, levando à perda imediata de potência. Sem propulsão, a aeronave entrou em um mergulho quase vertical, uma trajetória incomum e considerada extrema até mesmo para padrões de acidentes aéreos. Todos os passageiros e tripulantes a bordo morreram.
O voo MU5735, operado pela China Eastern Airlines, fazia a rota entre Kunming e Guangzhou quando perdeu altitude de forma abrupta e deixou de responder aos controladores de tráfego aéreo. Investigações iniciais já haviam descartado problemas técnicos ou condições climáticas adversas, indicando uma sequência de eventos incomum na aviação comercial.
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Queda fora do padrão
De lá para cá, especialistas passaram a apontar que o padrão da queda destoava de ocorrências típicas. O avião perdeu altitude quase em linha reta, o que levantou questionamentos sobre a possibilidade de interferência humana. A análise da NTSB, que capta parâmetros técnicos e comandos realizados na cabine, sustenta essa hipótese. De acordo com a agência de notícias britânica BBC, os dados reforçam a possibilidade de que o desligamento não tenha sido resultado de falha mecânica.
O relatório, no entanto, não identifica responsáveis nem estabelece uma causa definitiva. Ainda assim, o fato de os dois interruptores terem sido acionados simultaneamente em pleno voo é considerado um elemento relevante na investigação.
Casos desse tipo costumam envolver múltiplas autoridades e podem levar anos até uma conclusão final. Até agora, autoridades da China não divulgaram um relatório independente com explicações detalhadas sobre o acidente. Mesmo com os novos dados, permanecem dúvidas sobre o que levou ao corte de combustível e em que circunstâncias a decisão foi tomada.