O governo de Donald Trump alega que o cessar-fogo com o Irã estende o prazo de 60 dias previsto pela lei americana, o que dispensaria o Pentágono de buscar autorização do Congresso para dar continuidade ao conflito. A posição levanta debate sobre os limites constitucionais dos poderes de guerra nos Estados Unidos.

Para Fernanda Magnotta, existe a possibilidade de que a operação no Irã seja mantida com base na lógica de ameaça iminente. “Isso dependeria de uma narrativa amparada pela inteligência dos EUA, em um contexto em que a gente não tem uma evidência necessariamente convincente de ameaça direta ou de ameaça iminente”, afirmou Magnotta durante o CNN 360º desta terça-feira (5).

A analista também destacou que a memória do Iraque de 2003 ainda é muito presente e pode prejudicar a continuidade da operação sem uma autorização formal do Congresso.

Na avaliação de Magnotta, Trump se encontra em uma posição “relativamente confortável”, pois detém maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. No entanto, a analista ressaltou que o Congresso não é apenas polarizado, mas apresenta fissuras internas relevantes dentro de cada partido.

Entre os republicanos, há uma ala identificada como “America First”, contrária a intervenções externas, que se mostra incomodada com a ação no Irã por entender que ela desvia o foco das prioridades domésticas. Do outro lado, há uma ala mais disposta a ações duras no campo da segurança.

Entre os democratas, Magnotta apontou que não existe apenas o grupo progressista, contrário à escalada militar. Há também uma ala moderada que se preocupa com a credibilidade estratégica dos Estados Unidos e com as consequências reputacionais do conflito.

“O mais provável, se isso fosse levado ao Congresso, é que o presidente Trump encontraria um Congresso reticente, bastante cauteloso, muito fragmentado e, eu tenho a sensação, que estaria propenso a propor uma restrição, uma estratégia de contenção dessa escalada militar”, avaliou a analista.

O cenário mais provável

Segundo Magnotta, o desfecho mais provável, caso a guerra seja levada a voto, não seria nem uma aprovação plena nem uma rejeição total. “O mais provável é que ocorra uma espécie de autorização condicionada, uma autorização cautelosa, com algum nível de limitação dos poderes de guerra, ou em tempo ou em tipo de operação pertinente”, explicou.

A analista também chamou atenção para o fator tempo: em novembro haverá eleições de meio de mandato, que renovarão o Congresso americano em larga medida.

“Se, eventualmente, o presidente Trump perder maioria em uma ou nas duas casas. Isso significaria ter que entrar em uma segunda metade de governo, do ano que vem em diante, com um grupo de lesgiladores menos propensos a apoiar suas agendas, e talvez limitar de maneira muito mais restritiva essas possibilidades em relação aos poderes de guerra no Irã”, conclui Magnotta.



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