Um fóssil de dinossauro encontrado no Brasil será devolvido após passar 35 anos no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha. A espécie Irritator challengeri viveu há cerca de 110 milhões de anos e foi descoberta na Chapada do Araripe, no Ceará.

De acordo com a Secitece (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior), o material chega ao Brasil nos próximos meses, após o cumprimento das etapas burocráticas e de logística de transporte, já que a peça exige cuidados específicos.

Quando chegar, o fóssil deverá integrar o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará.

O Ministério de Relações Exteriores anunciou a devolução no último dia 20 de abril em declaração conjunta com a Alemanha, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país. Na data da visita, o processo já estava em trâmites finais, com participação do Governo do Ceará.

Após a confirmação, Aline Ghilardi, paleontóloga da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), foi uma das cientistas que comemorou a conquista. Veja abaixo:

 

 

“O retorno desse fóssil, especialmente para o seu local de origem, vai muito além da volta de um único espécime científico. Ele carrega um peso cultural e simbólico profundo, e tem o potencial de transformar realidades: inspirar novas gerações, fortalecer a pesquisa local e afirmar que o patrimônio pertence ao lugar onde suas histórias estão enraizadas“, afirmou Aline.

Antes do acordo, paleontólogos brasileiros, incluindo Aline, pressionavam as autoridades dos dois países para que o retorno do fóssil fosse possível. Um dos meios encontrados foi a criação de um abaixo-assinado, que acumula mais de 34 mil assinaturas.

Também nas redes sociais, o Geopark Araripe, o primeiro Geoparque Mundial da UNESCO no Hemisfério Sul, destacou a importância do fóssil. “Diretamente ligado à Bacia do Araripe, esse importante fóssil reforça a relevância internacional da nossa região e a necessidade de preservar, pesquisar e celebrar as riquezas naturais que fazem do Geopark Araripe um território único no mundo.”

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores também falou sobre a repatriação. “Ambos os lados valorizam a cooperação científica na área de pesquisa de fósseis, com o objetivo de utilizar a experiência e os acervos disponíveis na Alemanha e no Brasil para benefício mútuo de ambos os países. Nesse contexto, ambos os governos acolhem com satisfação a disposição do Estado de Baden-Württemberg e do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart em retornar o fóssil de Irritator challengeri ao Brasil.”

Conheça o Irritator challengeri

O nome do fóssil está conectado à história de sua descoberta, em 1991. Na época, paleontólogos alemães ficaram frustrados ao constatar que o crânio do fóssil havia sido adulterado por contrabandistas brasileiros, e escolheram o termo Irritator, que deriva da palavra “irritação”.

Segundo a Secitece, partes ausentes devido à adulteração foram preenchidas com gesso para valorizar a peça, exigindo um trabalho minucioso de remoção do material e gerando grande contrariedade entre os pesquisadores.

Já o nome da espécie, challengeri, homenageia o personagem Professor Challenger, da obra O Mundo Perdido, escrita por Arthur Conan Doyle.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo





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