
Após meses de indefinição, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enfim bateu o martelo sobre o candidato a ser lançado pelo PL para o Senado em São Paulo nesta terça-feira, 5.
Considerado “dono da vaga”, Eduardo concordou em apoiar o nome de André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) e postulante ungido pelo cacique Valdemar Costa Neto. Em vídeo publicado lado do correligionário, o filho Zero Três de Jair Bolsonaro também anunciou que ele próprio será suplente de Prado, possibilidade cuja ventilação havia ganhado força nas últimas semanas.
A manobra é tida pelo entorno do PL como uma jogada perfeita para equacionar não apenas a disputa ao Senado por São Paulo — que desponta com o protagonismo de candidatas fortes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, mas também garantir uma ressurreição política a Eduardo, autoexilado nos Estados Unidos há mais de um ano sob a justificativa de perseguição judicial no Brasil.
Eduardo, que em pesquisas do PL aparece com um recall relevante — segundo membros da legenda, ele chega a um patamar de 30% do eleitorado com seu nome na cédula –, se desdobrou em elogios à “capacidade de articulação e liderança política” de André do Prado, que, no comando da Alesp, tem influência expressiva com lideranças políticas de todo o estado. Essa mesma influência, disse Eduardo na publicação de anúncio da aliança, será crucial não apenas para a chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição, mas para o próprio projeto presidenciável de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), uma vez que é chave a construção de um palanque no maior colégio eleitoral do país,
Por outro lado, integrantes do próprio PL afirmam que, na prática, André do Prado virou quase que um laranja do Zero Três. “O Lula tinha ‘o poste’ Haddad em 2018, agora o Eduardo tem o André”, alfinetada um correligionário, em alusão à candidatura de Fernando Haddad ao Planalto em 2018, quando Lula estava preso e impedido de disputar eleições.
Apesar da resistência, principalmente da ala mais ideológica do PL, em apoiar abertamente André do Prado, a tendência é que o apoio tácito de Eduardo mude o jogo a favor do presidente da Alesp — afinal, se a ordem “foi dada”, ela tem de ser cumprida.
Por ora, uma das preocupações do partido é mensurar quanto, de fato, Eduardo vai ser capaz de transferir como suplente nas pesquisas.
Outro obstáculo, ainda maior, é checar a viabilidade, até mesmo judicial, da candidatura na configuração desejada. Como mostra reportagem de VEJA, a cassação de Eduardo na Câmara por faltas pode abrir margem para o questionamento de sua inelegibilidade.