A operadora Vivo voltou a aparecer no topo de rankings de sustentabilidade corporativa, em um momento em que critérios ESG ganham peso entre investidores, mas também enfrentam questionamentos sobre consistência e impacto real.

A companhia lidera a nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da B3, e figura pelo segundo ano consecutivo no Dow Jones Best-in-Class World Index, um dos principais indicadores globais do tema.

Liderança em sustentabilidade no mercado brasileiro

Divulgado nesta segunda-feira, 4, o ISE reúne 69 empresas listadas e funciona como referência para investidores interessados em práticas ambientais, sociais e de governança.

A Vivo ocupa a primeira posição geral, à frente de companhias de diferentes setores, repetindo um desempenho que já havia alcançado em outras ocasiões desde que passou a integrar o índice, em 2010.

O resultado ocorre em um contexto de maior pressão sobre empresas abertas para demonstrar avanços mensuráveis em sustentabilidade.

Nos últimos anos, gestores de recursos e fundos institucionais passaram a exigir metas mais claras de descarbonização, diversidade e transparência, o que elevou a concorrência dentro do próprio índice.

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Clima e descarbonização como eixo central

A estratégia ambiental da operadora tem como principal eixo a redução de emissões. Segundo dados da própria empresa, houve queda de 91% nas emissões diretas de gases de efeito estufa ao longo de uma década. A meta agora é atingir neutralidade de carbono até 2035.

Parte desse esforço depende da cadeia de fornecedores.

A companhia afirma que cerca de 90% dos parceiros mais intensivos em carbono já aderiram a iniciativas de descarbonização, um movimento que acompanha uma tendência global de responsabilização indireta das empresas por emissões de terceiros.

Além disso, a Vivo investe em iniciativas de economia circular, como programas de coleta e reaproveitamento de eletrônicos, e anunciou projetos de preservação ambiental na Amazônia, em áreas localizadas entre Maranhão e Pará.

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Diversidade e pressão por resultados sociais

No campo social, a empresa destaca políticas voltadas à diversidade racial e de gênero, com metas específicas em programas de entrada, como trainee e estágio.

Dados divulgados indicam aumento da presença de pessoas negras em cargos de liderança e maior participação feminina em posições executivas e no conselho.

Esse tipo de política se tornou comum entre grandes empresas, mas também passou a ser monitorado de forma mais crítica por analistas, que cobram evolução consistente ao longo do tempo e impacto além dos números internos.

A atuação social inclui ainda investimentos em educação pública por meio da Fundação Telefônica Vivo, com foco em formação digital de estudantes e professores.

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Governança e remuneração atrelada a ESG

Na frente de governança, a Vivo segue práticas já difundidas entre grandes companhias listadas, como vincular parte da remuneração de executivos ao cumprimento de metas ESG. O conselho de administração conta majoritariamente com membros independentes, outro critério valorizado por investidores.

Especialistas apontam que esse tipo de mecanismo tende a ganhar ainda mais relevância à medida que regulações internacionais avançam, especialmente na Europa, pressionando multinacionais e subsidiárias a adotar padrões mais rigorosos.

Reconhecimento internacional e disputa por credibilidade

A presença no Dow Jones Best-in-Class World Index coloca a empresa entre um grupo seleto de companhias avaliadas globalmente em critérios ESG. A pontuação divulgada, próxima do máximo possível, reforça o desempenho da operadora em métricas padronizadas.

Apesar disso, índices de sustentabilidade também têm sido alvo de críticas.

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Parte do mercado questiona a comparabilidade entre setores e a dependência de informações fornecidas pelas próprias empresas, o que levanta dúvidas sobre o chamado greenwashing.

Nesse cenário, a liderança em rankings como o ISE e a inclusão em índices globais funcionam tanto como um selo de qualidade quanto como um ponto de escrutínio crescente.

Para empresas como a Vivo, o desafio passa a ser sustentar os indicadores no longo prazo e demonstrar impacto concreto além dos relatórios.



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