Guardar o pão no congelador pode ir além de uma estratégia para evitar desperdício. Segundo especialistas, o hábito também pode trazer benefícios metabólicos, especialmente no controle da glicemia — fator importante para quem busca uma alimentação mais equilibrada.
De acordo com a nutricionista Karine Borges Margela, coordenadora de práticas assistenciais da Rede Toral Care, o efeito está ligado a uma mudança na estrutura do alimento.
“A principal vantagem de congelar o pão está em um processo chamado retrogradação do amido. Quando o pão é congelado e depois descongelado, parte do amido se reorganiza e se transforma em ‘amido resistente’. Esse tipo de amido é digerido mais lentamente pelo organismo, o que faz com que a liberação de glicose no sangue aconteça de forma mais gradual”, explica.
Na prática, isso significa que o pão congelado tende a provocar um aumento mais lento do açúcar no sangue em comparação ao pão fresco, cujo amido é absorvido rapidamente.
“O pão congelado e descongelado tende a ter um índice glicêmico um pouco menor. Quando ele é congelado e depois tostado, essa redução pode ser ligeiramente maior. Em média, a diminuição do índice glicêmico pode variar entre 10% e 30%, dependendo do tipo de pão, sendo o efeito mais perceptível nos pães brancos”, completa a profissional.
A médica nutróloga Mônica Guedes, do Hospital Mário Lioni, reforça que essa transformação contribui para uma resposta mais equilibrada do organismo. “Na prática, a liberação da glicose acontece de maneira mais gradual, evitando picos glicêmicos tão rápidos e intensos”, afirma.
Apesar do benefício, os especialistas alertam que o alimento continua sendo fonte de carboidrato e deve ser consumido com atenção. “Ainda assim, é importante destacar que continua sendo pão, ou seja, uma fonte relevante de carboidrato. O congelamento não transforma o alimento em uma opção ‘livre’ do ponto de vista metabólico”, pondera Karine.
Uma estratégia para potencializar os efeitos é combinar o pão com outros nutrientes.
“O mais importante é a composição da refeição como um todo. Combinar o pão com fontes de proteína e fibras ajuda a reduzir ainda mais o impacto glicêmico”, orienta a nutricionista.








