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Um cruzeiro com um possível foco de hantavírus não foi autorizado a atracar no porto da Praia, a capital de Cabo Verde, e os passageiros não poderão desembarcar como uma medida para “proteger a população de Cabo Verde”, informaram as autoridades de saúde do país nesta segunda-feira, 4.
“Em coordenação com outras autoridades, não foi concedida ao navio autorização para atracar no porto de Praia”, declarou a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, à emissora pública Rádio de Cabo Verde.
No domingo 3, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes após um possível surto da doença a bordo de um cruzeiro que navegava no Oceano Atlântico. Dos seis indivíduos sintomáticos, apenas um caso de infecção por hantavírus foi confirmado em laboratório até o momento, enquanto os outros cinco são casos suspeitos, segundo a organização.
A primeira vítima foi um homem de 70 anos, que morreu no navio e teve seu corpo levado para Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul, informou o Departamento de Saúde da África do Sul em um comunicado divulgado pela agência de notícias Associated Press. A esposa do homem desmaiou em um aeroporto na África do Sul enquanto tentava embarcar em um voo de volta para a Holanda, seu país de origem, e morreu no hospital.
O navio MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, há cerca de sete semanas, segundo dados da MarineTraffic, que o identificou como um navio de cruzeiro de passageiros com bandeira holandesa. A embarcação parou na Antártica e em Santa Helena antes de ancorar em Praia, capital de Cabo Verde, no domingo.
“A prioridade da Oceanwide Expeditions é garantir que os dois indivíduos sintomáticos a bordo recebam atendimento médico adequado e imediato”, afirmou a empresa.
Já a OMS declarou que está “facilitando a coordenação entre os Estados-Membros e os operadores do navio para a evacuação médica de dois passageiros sintomáticos, bem como a avaliação completa dos riscos para a saúde pública e o apoio aos demais passageiros a bordo”.
O hantavírus
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o hantavírus é transmitido por roedores, especialmente através da urina, fezes e saliva desses animais. Os sintomas iniciais incluem fadiga, febre, dores musculares, além de dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais em alguns pacientes. Não há cura para a infecção por hantavírus, além do tratamento dos sintomas.
“Embora seja raro, o hantavírus pode ser transmitido de uma pessoa para outra e provocar doenças respiratórias graves”, indicou a OMS.
O Ministério da Saúde da província de Tierra del Fuego, onde Ushuaia está localizada, afirmou que nunca houve um caso relatado de hantavírus na província.
O suposto surto de hantavírus apresenta um baixo risco para o público, de acordo com o chefe da OMS na Europa. “O risco para o público em geral permanece baixo. Não há necessidade de pânico ou restrições de viagem”, disse Hans Kluge em um comunicado nesta segunda-feira.