Notícias sobre a ativista iraniana, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, voltaram a ser divulgadas nos últimos dias, depois que ela foi transferida de uma prisão no Irã para um hospital na semana passada, em decorrência de uma doença cardíaca grave.

Segundo a família de Mohammadi, ela está em estado crítico e o regime iraniano ainda não permite que ela receba o tratamento adequado em um centro especializado.

A Fundação Narges, administrada pelos familiares da ativista, informou na sexta-feira (1º) que ela foi transferida para um hospital na província de Zanjan após uma “deterioração catastrófica de sua saúde”. Ela permanece na unidade de terapia intensiva cardíaca desse hospital.

A família e os apoiadores da iraniana, assim como o Comitê Norueguês do Nobel, pediram a Teerã que permita que ela receba cuidados de especialistas.

A ativista sofreu um possível ataque cardíaco no final de março e foi levada a um hospital no noroeste do Irã somente em 1º de maio, com seu estado de saúde se deteriorando rapidamente, segundo informações da família.

“Ela está sofrendo com dores de cabeça terríveis, náuseas e dores no peito. É com isso que estamos muito preocupados, com o coração dela”, relatou Hamidreza Mohammadi, irã da ativista, em entrevista de sua casa na Noruega.

O hospital provincial onde ela está sendo tratada não consegue fornecer os cuidados adequados, continuou ele.

Especialistas “acreditam que a vida dela está em perigo e que ela precisa de pelo menos um mês longe das condições da prisão para receber tratamento adequado”, afirmou o irmão. “Ela precisa de seus próprios médicos, que já realizaram as cirurgias antes e sabem exatamente o que há de errado com ela.”

Quem é Narges Mohammadi

Narges Mohammadi, atualmente com 54 anos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2023 enquanto estava presa por sua campanha em prol dos direitos das mulheres e pela abolição da pena de morte no Irã. Ela é a 19ª mulher a ganhar a premiação em mais de 120 anos de existência do prêmio.

Segundo a fundação que leva o nome da ativista, ela nasceu na cidade de Zanjan, noroeste do Irã, em 1972. Além de atuar como jornalista, Mohammadi estudou física na Universidade de Qazvin, no Irã, onde começou a atuar como ativista e foi presa pela primeira vez.

Ainda segundo a organização, ela passou mais de 10 anos de sua vida na prisão, foi presa 14 vezes, julgada outras 10 vezes, passou pelo menos 161 dias em celas solitárias e foi condenada a mais de 44 anos de prisão e 154 chibatadas ao longo de sua vida.

Atualmente, Mohammadi cumpre uma pena de 10 anos e 9 meses, acusada de ações contra a segurança nacional e propaganda contra o Estado. Ela foi presa em dezembro de 2025 após denunciar a morte do advogado Khosrow Alikordi.

O promotor Hasan Hematifar disse aos repórteres que ela havia feito comentários sobre a morte de Alikordi.

Mesmo estando presa, ela foi condenada a mais sete anos de prisão, em fevereiro deste ano.

O comitê do Prêmio Nobel da Paz afirmou em 2023 que a ativista foi premiada pela “sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e sua luta pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos”.



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