O Tribunal do Júri do Paranoá condenou Ian de Jesus Oliveira, 27 anos, a 33 anos, sete meses e seis dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato a facadas da ex-companheira Daíra dos Santos Rodrigues, 23, em agosto de 2024, no Condomínio Del Lago I, no Itapoã.

Na sessão de quinta-feira (30/4), os jurados acataram integralmente a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e reconheceram que Ian foi o autor de feminicídio. Também consideraram as seguintes qualificadoras e agravantes:

  • motivo torpe;
  • uso de meio cruel;
  • recurso que dificultou a defesa da vítima;
  • crime cometido na presença da mãe da jovem;
  • descumprimento de medidas protetivas.

Ao definir a pena, o juiz destacou o impacto do crime na família da vítima. Segundo ele, a mãe da jovem passou a conviver com um trauma profundo: não consegue mais dormir, faz uso de medicação controlada e mantém o quarto da filha trancado, por não suportar entrar no local. O magistrado também determinou o início imediato do cumprimento da pena e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Ian foi preso em flagrante no dia 26 de agosto, horas após o crime, escondido em um hotel em Formosa (GO), no Entorno do Distrito Federal. Em depoimento à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), ele confessou o assassinato, disse que havia consumido grande quantidade de cocaína e mencionou ciúmes e conflitos com a vítima como motivação.

Relacionamento marcado por agressões

Entre idas e vindas, vítima e autor mantiveram um relacionamento por nove meses. Daíra havia registrado ocorrência de lesão corporal contra o ex-companheiro 22 dias antes de ser morta por ele. Na ocasião, ela denunciou que foi agredida pelo homem e que teve um forte sangramento.

Daíra registrou um boletim de ocorrência da violência doméstica no mesmo dia, e teve medidas protetivas de urgência concedidas pela Justiça do Distrito Federal.

Porém, investigações conduzidas pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) revelaram que, após esse episódio de violência, a vítima teria sido espancada por Ian dias depois.

“Nós tivemos conhecimento que, na sexta-feira anterior ao feminicídio, ela já havia apanhado do autor. No momento do óbito, inclusive, verificou-se que ela estava com uma grande mancha no rosto, fruto de ter sido espancada pelo autor. Conversando com familiares do casal, nós soubemos de várias outras brigas”, detalhou Íris Helena Rosa, delegada-chefe da 6ª DP à época.

Feminicídio

Conforme apurado pela reportagem, um vizinho da vítima relatou que, por volta das 6h20, estava retornando para casa, quando avistou Ian na frente da residência da mãe de Daíra, no Itapoã.

De acordo com a testemunha, o autor aparentava ter voltado de uma festa, e disse que estava aguardando a ex aparecer na frente de casa.

Ian teria quebrado o portão da casa, invadido a residência e se trancado no quarto de Daíra, onde ela estava dormindo. Em posse de duas facas, o homem desferiu diversos golpes de arma branca na região do tórax da vítima.

O vizinho contou que tentou tirar o homem de cima da mulher, e que conseguiu aplicar nele um mata-leão. Ian, então, teria desmaiado.

No entanto, pouco tempo depois, o autor teria acordado e dito para o vizinho: “Me mata, irmão. Me mata”. Nesse momento, a testemunha contou que conseguiu pegar a faca utilizada por Ian e jogá-la para fora da casa. Em seguida, Ian fugiu.

O vizinho, então, conseguiu pegar Daíra no colo e a levou de carro para o Hospital Região Leste (Paranoá). A vítima foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos, e acabou morrendo no local.

O condenado já tinha um histórico criminal que inclui passagens por furto, infrações da Lei Maria da Penha e dirigir sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH).



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