A poucos dias da entrada em vigor da nova NR-1 (Normal Reguladora Nº 1), que regulamenta diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho, um levantamento aponta que apesar de 58,9% das empresas brasileiras afirmarem estar totalmente preparadas para lidar com o bem-estar dos colaboradores, a maioria não monitora indicadores considerados essenciais para avaliar esse cenário na prática.

De acordo com o estudo realizado pela Swile, em parceria com a Leme Consultoria e a Poli Júnior da USP, apenas 11,7% das empresas acompanham de perto a taxa de horas extras, enquanto 23,9% monitoram o clima organizacional de forma estruturada e 44,9% analisam o turnover, taxa que mede o fluxo de admissões e desligamentos.

O resultado, segundo a pesquisa, revela que embora as empresas indiquem preparo, a prática ainda ignora fatores diretamente ligados à sobrecarga e à insatisfação dos trabalhadores.

Esse cenário ganha mais peso com a atualização da NR-1, que passa a ser fiscalizada a partir de 26 de maio e exige que companhias identifiquem e avaliem riscos psicossociais, como estresse, burnout e relações tóxicas no ambiente de trabalho.

Para a Swile, na prática, questões sobre saúde mental deixa de ser apenas uma pauta de bem-estar e passa a integrar a agenda de compliance das companhias.

“Muitas empresas já estão avançando na agenda de saúde mental, mas o próximo passo é aprofundar esse olhar com base em dados. A nova NR-1 traz justamente essa necessidade de tornar o cuidado mais concreto e mensurável no dia a dia”, afirma a diretora de People da Swile Brasil, Josiane Lima.

A executiva ainda acrescenta que “mais do que ter políticas, as empresas vão precisar acompanhar indicadores que reflitam a realidade do ambiente de trabalho, é isso que vai ajudar a direcionar ações mais efetivas e sustentáveis ao longo do tempo”.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 530 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o quinto ano consecutivo de alta.

Dados da Suridata indicam ainda que trabalhadores afastados por questões de saúde mental permanecem, em média, o dobro do tempo longe do trabalho em comparação a outras condições clínicas, além de um aumento expressivo desses casos nos últimos anos.

Apesar de avanços na formalização de políticas, como pacotes de benefícios organizados e planos de cargos e salários estruturados, a Swile mostra que essas iniciativas não têm se traduzido, necessariamente, em uma gestão orientada por dados. Ao mesmo tempo, a pressão do mercado cresce: 85% dos profissionais afirmam que deixariam empresas que não priorizam o bem-estar.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *