
Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de lançar ataques contra o país nesta segunda-feira, 4, em uma violação do frágil cessar-fogo implementado em 8 de abril. No X, antigo Twitter, o Ministério da Defesa afirmou que “as defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos estão atualmente lidando com ataques de mísseis e drones provenientes do Irã” e que “o sistema de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos está ativamente engajado com ameaças” pela primeira vez desde o início do acordo.
Em uma publicação anterior, a pasta já havia informado que três “munições de ataque de precisão” foram “interceptadas sobre as águas territoriais do país”. Um quarto míssil, segundo o Ministério, “caiu no mar”. Moradores de Dubai e Abu Dhabi receberam alertas em seus celulares para que buscassem “imediatamente um local seguro no prédio mais próximo”.
Os bombardeios ocorrem em meio à escalada das tensões no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte internacional de petróleo que está bloqueada pelo Irã desde o fim de fevereiro. Mais cedo, os Emirados Árabes acusaram Teerã de atacar com drones um petroleiro da empresa nacional ADNOC, que tentava atravessar a rota. A embarcação estava vazia e por isso nenhuma pessoa ficou ferida.
“Os Emirados Árabes Unidos enfatizam a necessidade de o Irã interromper esses ataques, garantir seu pleno compromisso com a cessação imediata de todas as hostilidades e a reabertura completa e incondicional do Estreito de Ormuz”, disse o ministério das Relações Exteriores emirati. “Apontar contra a navegação comercial e utilizar o estreito como meio de coerção econômica ou de chantagem constitui um ato de pirataria por parte do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, acrescentou a pasta.
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Guerra de versões
Ao longo desta manhã, os Estados Unidos e o Irã abriram uma guerra de versões sobre o status da navegação em Ormuz. De acordo com o Exército americano, seus destróieres entraram no Golfo como parte de uma missão destinada a escoltar navios mercantes pelo estreito, garantindo com segurança a passagem de duas embarcações comerciais.
Já a TV estatal iraniana informou que a Marinha iraniana disparou mísseis de cruzeiro, foguetes e drones de combate perto dos destróieres — tiros de advertência que teriam feito os navios de guerra americanos recuarem com sucesso. Mais cedo, a agência de notícias iraniana Fars havia reportado que uma fragata dos Estados Unidos foi atacada com dois mísseis no Estreito (algo que o Centcom prontamente negou).
Ainda nesta segunda, Irã divulgou um mapa do Estreito com linhas vermelhas que marcam “a nova área sob gestão e controle” dos militares do país. Em paralelo, o Exército iraniano advertiu que qualquer travessia deve ser coordenada com Teerã e que “qualquer força armada estrangeira —especialmente o agressivo Exército dos EUA— se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada”. Pela rota, passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta.