
A partir desta segunda-feira, 4, o primeiro grupo da população geral vai começar a ser vacinado com o imunizante contra a dengue do Instituto Butantan, dose única contra a doença aprovada em novembro do ano passado para uso no Brasil. Seguindo a estratégia elaborada pelo Ministério da Saúde, as pessoas com 59 anos já podem receber a dose no estado de São Paulo. Também ficou definido que a Butantan-DV será aplicada em todos os profissionais de saúde das redes pública e privada.
A vacina, aprovada em novembro do ano passado, já estava sendo aplicada em profissionais da Atenção Primária à Saúde. Com apenas uma dose, o imunizante protege contra os quatro sorotipos da doença e, em testes, demonstrou eficácia e segurança contra o vírus por um período de cinco anos (leia mais abaixo).
Pela estratégia do Ministério da Saúde, haverá um escalonamento na aplicação das doses, conforme a chegada de remessas, até as populações mais jovens — o imunizante foi aprovado para a população de 12 a 59 anos —.
“A medida tem como objetivo ampliar a proteção dos grupos mais expostos e vulneráveis, fortalecendo a estratégia de enfrentamento à dengue em todo o território paulista”, informou, em nota, o governo de São Paulo. No estado, o público-alvo é estimado em 1,8 milhão de pessoas.
Dengue no Brasil
Até o momento, o Brasil registrou 287.825 casos da doença causada pelo mosquito Aedes aegypti e 99 mortes. Há 214 óbitos em investigação. Em 2024, o país bateu o recorde da série histórica iniciada no ano 2000, somando 6.563.561 registros e 6.321 mortes, de acordo com balanço do Ministério da Saúde.
Atualmente, o único imunizante disponível no Sistema Único de Saúde é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, voltada só para a população de 10 a 14 anos, e que vai continuar sendo aplicada mesmo com a incorporação da Butantan-DV.
Vacina contra dengue do Butantan
O imunizante contra a dengue em teste no Instituto Butantan é fruto de uma parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que compartilhou as quatro cepas virais do imunizante e conduziu a fase 1 dos testes com humanos entre 2010 e 2012. A fase 2 ocorreu no Brasil entre 2013 e 2015. Há oito anos, o Butantan coordena os testes de fase 3 com 16.235 participantes que serão avaliados pelo instituto até que todos completem cinco anos de acompanhamento desde a entrada no ensaio.
O imunizante é feito com os quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) em sua forma atenuada. Dessa forma, estimula a produção de anticorpos pelo indivíduo sem causar a doença. Ele foi testada com uma população de 2 a 59 anos formada por pessoas que já foram infectadas e também que ainda não tiveram contato com o vírus.
Em testes de fase 3, a Butantan-DV demonstrou 79,6% de eficácia geral para prevenir episódios de dengue sintomática, resultado que foi publicado no periódico científico The New England Journal of Medicine. Outro ensaio, também de fase 3 e publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, apontou que a vacina tem capacidade de proteção de 89% contra episódios graves e com sinais de alarme da doença, além de eficácia e segurança contra o vírus por um período de cinco anos.
Uma versão quadrivalente da vacina contra a dengue seria importante para conquistar altas coberturas vacinais, tendo em vista que a adesão pode diminuir quando mais doses são necessárias para garantir a proteção. Além disso, estar protegido contra um sorotipo não impede a pessoa de ser infectada com outro e uma nova infecção tende a ser mais grave.