Com humor e sensibilidade, a vida da mulher 50+ é destrinchada em cenas curtas e paródias musicais, abordando temas como mudanças corporais, carreira, saúde, beleza, relacionamentos e a menopausa, de forma franca e reflexiva. Cenas da Menopausa, que segue em turnê por várias capitais do nordeste, é uma comédia que retrata o que a própria Claudia Raia, 59 anos, diz ter passado nos últimos anos. Não por acaso ela tomou coragem de “se vulnerabilizar diante do público” como forma de ajudar mais mulheres a debaterem seus prazeres na maturidade. Convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku; além da versão podcast no Spotify), a atriz fala, entre outros assuntos, sobre libido, casamento com Jarbas Homem de Mello – que também atua e dirige a peça, maternidade tardia e da polêmica gerada ao comentar que deu brinquedos eróticos à filha aos 12 anos. Assista.

FALANDO DE MENOPAUSA. “Sabia que ia tocar num ponto vulnerável, num ponto nevrálgico da vida da mulher. Porém, a gente não imaginou que um entretenimento viraria serviço público. E isso é um negócio muito forte, porque é o teatro novamente como grande agente transformador, tocando o coração das pessoas. A gente escolheu a comédia para tocar o coração das pessoas”.

VULNERABILIZAR PERANTE O PÚBLICO. “A vontade de falar sobre a menopausa surgiu há oito anos, assunto que venho falando desde então nas minhas redes sociais. Não fui muito bem vista no começo, porque menopausa não é assunto que tem que simplificar. Não receberam bem no começo, continuei falando, porque sempre fui de compartilhar minhas dores e dúvidas com outras mulheres e com meu público. Foi uma vontade minha compartilhar e me vulnerabilizar na frente do público. O que acho importante, porque as pessoas falam: ‘É artista, tem acesso a tudo, tem dinheiro, não acontece nada com ela’. Não, é todo mundo no mesmo barco, todo mundo vai entrar na menopausa, todo mundo vai passar por essa situação e isso tem que ser normalizado. A fase reprodutiva acaba, mas a fase produtiva continua”.

PAPEL DO HOMEM. “Jarbas Homem de Melo (seu marido), que também atua e dirige o espetáculo, faz homens e mulheres numa parceria muito importante, porque também tem o lugar do homem nessa situação (da menopausa). Há homens que acham que a mulher não gosta mais deles, que não tem mais desejo por eles, que não o ama mais, que enjoou dele. Não é nada disso, é a menopausa. O homem tem que estar ali assessorando a mulher, estendendo a mão para as figuras femininas. (…) Jarbas diz que já casou com a mesma mulher três vezes na menopausa (risos)”.

O QUE APRENDI COM A MENOPAUSA. “É um momento seu, é o momento que a menopausa vem, olha na sua cara e fala: ‘agora é você, o resto que se exploda. Porque ou você se cuida, ou você se cuida. Não tem jeito. Achei que eu sabia tudo e não sabia nada, quem me disse que eu estava na menopausa foram o Jarbas e meus filhos, com muita brincadeira”.

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MATERNIDADE TARDIA. “Estava na menopausa quando engravidei. Saí da menopausa, tive a gravidez, amamentei; e quando acabou a prolactina, a menopausa voltou. E disse à minha médica: ‘vai voltar a menopausa?’. Ela disse: ‘não sei, não tem protocolo para isso’. Fui no dia a dia, vivendo e entendendo o que estava acontecendo. Ela voltou de maneira muito severa, meus hormônios desmandaram todos de novo. É como se eu tivesse vendo os personagens falarem, contarem a minha própria história e dei uma bugada. Assim tive que fazer a reposição (hormonal) toda de novo, porque comecei a sentir todos os sintomas. E não são poucos”.

MÃE AOS 56 ANOS. “Muda muita coisa. Quando se é mãe aos 30 anos, quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Quando se é mãe aos 36, acha que está perdendo alguma coisa. Quando se é mãe aos 56, você sabe onde quer estar. É diferente. Eu queria ter tido essa clareza, essa disponibilidade com os meus dois outros filhos, com quem me dediquei no que era possível… Mas a qualidade de tempo que fico com o Luca hoje, que não é a quantidade, é a qualidade, é muito interessante. É o único lugar que faz sentido eu estar para me recarregar, para me retrabalhar, para fazer tudo o que faço”.

FEMINISMO. “Tenho esse lugar desde muito jovem comigo. Venho de uma família feminista, de quatro mulheres. Minha mãe era muito avant-garde, era muito para frente, moderna, feminista. Então, aprendi essa estrutura. Por isso sempre falei livremente do prazer da mulher, e isso é um negócio que não se pode tocar. Prazer da mulher? A sociedade não aguenta falar disso. É incrível, é impressionante”.

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EM DEFESA DO CLITÓRIS. “Quando falo de masturbação, de virador, viraliza, vira polêmica. Mas vou continuar falando, porque toda mulher merece ter prazer. O clitóris é o único órgão da mulher que não envelhece. As pessoas precisam saber do poder delas. As mulheres têm que entender, finalmente, a potência que elas têm, e não deixar que o patriarcado as coloque para baixo. Isso é uma missão minha”.

BRINQUEDO SEXUAL PARA A FILHA. “(Quando falei disso publicamente), teve um deputado que entrou com ação contra mim, eu sendo mãe da minha própria filha. Isso não deu em nada. E minha filha se tornou uma mulher de 23 anos, absolutamente potente, enorme, dona de si. Tenho muito orgulho de ter uma filha, e de ter se tornado a mulher que se tornou”.

SOBRE ABORTO. “É para a saúde da mulher e do libre arbítrio dela. Quer ser mãe, escolheu aquilo? Foi estuprada, foi violentada? Cada situação é uma situação. A questão do aborto é decisão da mulher, isso deveria ser respeitado sempre, é uma questão de saúde, ninguém mais tem que se meter, mas é um caminho longo”.

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NÃO-MATERNIDADE. “Também é preciso falar das mulheres não querem ser mães. É fundamental que se entenda: ser mãe é um perrengue, é maravilhoso, mas é um perrengue. Se você não quer muito isso, não seja. Se você quer mais ou menos, não seja. Tem que querer muito. Não engravide para agradar o marido ou a família, não dá. Esse tipo de função da maternidade, você só faz por você. Por isso demorei tanto para engravidar do Jarbas. Eu queria saber se queria de verdade mais um filho, ou se queria mais um filho para ele, entende?”.

VOLTA ÀS NOVELAS. “As novelas não (me terão) tão cedo, a não ser nas reprises, porque eu moro em São Paulo, tenho um filho pequeno e estou optando por fazer projetos menores, como séries, não dá para ficar nove meses fora. Tenho uma gratidão eterna à TV Globo. Os amigos que fiz, as relações que criei ali. E, claro, vou fazer uma coisa ou outra lá em algum momento. Mas novela, nesse momento, não estou querendo”.

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221); ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.



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