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Após apoiar medidas rigorosas contra a imigração em Idaho, nos Estados Unidos, a senadora estadual Glenneda Zuiderveld viu até seu marido, Tom, pego no fogo cruzado. O tiro pela culatra foi dissecado em reportagem do jornal americano The Washington Post nesta segunda-feira, 4, e é o símbolo de uma disputa envolvendo trabalhadores estrangeiros na região de Magic Valley, cuja economia é dependente desta mão de obra.

Tom trabalha como um representante de vendas independente. De acordo com o Post, pelo menos quatro produtores de laticínios da região deixaram de comprar óleo sintético com sua empresa devido às políticas de extrema direita de Glenneda, uma retaliação que já custou mais de US$ 125 mil em comissões por ano ao casal — 80% de sua renda. Embora o setor em Idaho seja dominado por eleitores republicanos, cuja posição nacional é notoriamente contrária à imigração, os empresários defendem que o boicote é necessário para proteger a indústria local.

“Vivemos em um país livre e podemos fazer negócios com quem quisermos”, afirma o proprietário da Riverband Dairy, Arie Roeloffs, ao Post. Em abril, sua firma foi a quarta a romper relações com Tom. “Não concordo com as ações da esposa dele na Assembleia Legislativa do estado. E ele a apoia”.

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O cenário explicita um racha notável no Partido Republicano em Idaho, algo que se torna ainda mais relevante com a proximidade das primárias republicanas do Distrito 24, representado por Glenneda desde 2022. Em meio à insatisfação com a posição da senadora, os produtores de laticínios têm apoiado seu rival de nas eleições de 19 de maio, Brent Renke, que diz considerar as exigências de imigração estaduais “problemáticas”.

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A divisão não é exclusiva deste estado americano. Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, sua política de linha dura contra a imigração tem levantado questões sobre os efeitos relacionados a setores dependentes de mão de obra estrangeira. Há debates sobre a possibilidade de oferecer novas formas de permissão de trabalho e até permitir maior leniência com gente sem documentos que atue em tais áreas — enquanto outros setores defendem uma política implacável contra a imigração ilegal.

O diretor executivo da Associação de Produtores de Leite de Idaho, Rick Naerebout, defende que projetos de lei em prol de deportações são “ideias de fora do estado” impostas por grupos conservadores. A senadora Glenneda Zuiderveld, por sua vez, defende que a imigração ilegal é uma das principais queixas de seus eleitores.

“Eles (os empresários) podem até ter o dinheiro necessário para investir em agricultura e laticínios, mas não foram eleitos por votação popular e não entendem realmente a região”, disse ela ao Post.



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