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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu aval para a comercialização e prescrição no Brasil da versão mais potente do Wegovy, a caneta de aplicação semanal para tratamento do excesso de peso. Com dosagem de 7,2 mg de semaglutida, o produto foi aprovado para pessoas com IMC (índice de massa corporal) acima de 30, a linha de corte para a obesidade.
A nova formulação do Wegovy, desenvolvida pela farmacêutica Novo Nordisk, visa atender a pacientes que necessitam de uma maior perda de peso. Nos estudos, a medicação injetável chegou a apresentar taxas de emagrecimento da ordem de 20,7% – um índice próximo ao do concorrente Mounjaro, do laboratório Eli Lilly.
O remédio já havia sido aprovado pelos órgãos regulatórios americano e europeu. Um dos destaques da caneta, de acordo com os estudos clínicos, é que um em cada três pacientes conseguiu reduzir ao menos 25% do peso corporal. Para uma pessoa de 120 kg, isso significa perder ao redor de 30 kg.
“É importante sublinhar, no entanto, que essa é uma medicação para o tratamento da obesidade, não para fins estéticos. Estamos falando de um recurso para controlar uma doença crônica e complexa, com diversas complicações, das cardiovasculares às hepáticas e articulares”, afirma o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, colunista de VEJA SAÚDE.
Os efeitos do Wegovy 7,2 mg
A principal pesquisa que subsidia a aprovação da dosagem máxima da semaglutida avaliou milhares de pacientes com obesidade em 11 países: um grupo tomou a medicação em si, outro recebeu a dose padrão de 2,4 mg; e um terceiro ficou com o placebo (canetas sem o princípio ativo); ambos foram orientados a realizar mudanças no estilo de vida.
Os participantes que utilizaram a dose de semaglutida de 7,2 mg perderam, em média, quase 21% do peso corporal após 72 semanas de estudo, demonstrando a alta eficácia das canetas semanais. Mais de 30% desse público logrou reduções iguais ou superiores a 25% do peso.
De acordo com as análises mais sofisticadas, 85% da perda de peso correspondeu à eliminação de gordura e 15% à diminuição de massa muscular. “Não se trata apenas de uma mudança na balança, mas de uma potencial melhora em condições como pressão arterial, níveis de açúcar no sangue, gordura no fígado, entre outras situações que prejudicam a qualidade de vida”, comenta Couri.
Em relação à segurança, os dados apresentados indicam um perfil já estabelecido, com eventos adversos em geral leves a moderados e transitórios, sem diferença significativa em relação aos da semaglutida de 2,4 mg. Como ocorre com a classe dos agonistas de GLP-1, os efeitos colaterais mais comuns tendem a ser gastrointestinais, como náuseas, vômitos, constipação, diarreia, dor abdominal e sensação de estufamento.
Quando deve chegar
A Novo Nordisk ainda não divulgou quando as canetas de Wegovy de 7,2 mg chegarão às farmácias brasileiras nem o preço do tratamento mensal.
É importante ressaltar que ainda não há uma versão específica com essa dosagem à venda. Qualquer tentativa de simular o efeito com a droga original só deve ser feita sob orientação médica. “Como não temos o novo produto, o paciente deve ser orientado de forma personalizada pelo especialista. A dose seria realizada hoje com três injeções de 2,4 mg no mesmo dia, uma vez por semana, não dividida em dias diferentes”, explica Couri. “Mas as pessoas não devem aumentar a dose por conta própria.”
Couri faz outra ponderação: “Essa aprovação não significa que todos os pacientes em uso de 2,4 mg devam migrar automaticamente para a dose mais alta. A dose de 2,4 mg continuará sendo adequada para muitas pessoas, especialmente aquelas com boa resposta clínica, boa tolerabilidade e melhora das comorbidades. A dose de 7,2 mg deve ser entendida como uma opção adicional, principalmente quando há necessidade de maior perda de peso e quando o benefício esperado justifica a intensificação.”