Lula e Trump se encontrarão em Washington nesta quinta-feira (7), em uma reunião aguardada com atenção por analistas de política internacional. Segundo Fernanda Magnotta, o encontro revelará se a “química” mencionada por Trump, após breve contato nos bastidores da Assembleia Geral da ONU do ano passado, se transformou em algo concreto na relação bilateral.
“Essa será a oportunidade definitiva de entendermos melhor se aquela química, que foi tão discutida meses atrás, acabou se transformando em um romance ou se foi só um lance”, afirmou a analista de Internacional durante o CNN 360º desta segunda-feira (4).
Magnotta ressaltou que o encontro acontece em um momento considerado delicado para ambos os líderes, que, segundo ela, não se encontram em condições politicamente confortáveis. Ela avaliou que a diplomacia brasileira, ao articular o encontro neste momento, assumiu riscos consideráveis.
“Se, por um lado, ele pode render um bônus político a Lula, ser visto como estadista e ocupar lugar nas grandes salas, o ônus, por outro lado, o risco que ele corre é bastante grande”, ponderou. Ela destacou que tanto Lula quanto Trump precisam de sinalizações positivas no âmbito doméstico, o que torna a reunião ainda mais sensível.
Quatro frentes de tensão na relação bilateral
A analista identificou pelo menos quatro grandes áreas de divergência que avançaram lentamente desde o encontro anterior entre os dois líderes. A primeira delas é o caso Ramagem. “Parece que a oposição ao governo Lula nos Estados Unidos teve algum tipo de participação efetiva, emplacando uma agenda favorável, o que desagradou o governo brasileiro”, explicou.
A segunda frente é a questão das tarifas comerciais. Magnotta afirmou acompanhar de perto as investigações da USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) e avaliou que o Brasil dificilmente passará ileso em alguns setores. “Existem possibilidades concretas de retorno dessas tarifas muito em breve”, alertou.
Em terceiro lugar, a analista destacou a negociação sobre minerais críticos e terras raras, área em que os Estados Unidos enxergam o Brasil como estratégico. “Enquanto o Brasil mostra disposição em falar disso, os americanos tratam bem o Brasil. Se o governo brasileiro impuser muitas restrições, a situação provavelmente vai ficar muito mais difícil”, disse.
Por fim, Magnotta apontou a questão da segurança pública como outro ponto de atrito. Para ela, não será fácil convencer os americanos a abandonar a designação do PCC e do Comando Vermelho como grupos narcoterroristas. “Os americanos estão bem convictos disso, e, portanto, é outro ponto de desavença no horizonte”, concluiu.
A analista afirmou olhar para o encontro “com algum ceticismo”, alertando que há “possibilidade real de escorregão” e que a reunião será cercada de muito cuidado por ambas as partes.