O Sistema Cantareira tem o pior início de maio em dez anos, desde 2016, quando ainda se recuperava da crise hídrica que atingiu São Paulo nos dois anos anteriores. As represas que compõe o maior reservatório de abastecimento da região metropolitana contavam, neste domingo (3/5), com apenas 42,3% de sua capacidade, às vésperas do período mais seco do ano.
O Cantareira começa o mês de maio com 150 bilhões de litros a menos do que em igual período do ano passado. É uma quantidade de água equivalente a pouco mais de dois meses de captação do próprio sistema, que tem hoje uma retirada em torno de 26 mil litros por segundo.
Diante do cenário atual, o Cantareira segue na Faixa 2, de atenção, ao longo do mês de maio. Dessa maneira, a Sabesp está autorizada a retirar até 31 mil litros por segundo, além do volume retirado da transposição da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, da bacia do rio Paraíba do Sul.
Atualmente, por decisão da Artesp, a Sabesp tem adotado a gestão de demanda noturna, com a redução de pressão no fornecimento de água por 10 horas na região metropolitana, das 19h às 5h. Bairros mais elevados e na periferia acabam sofrendo o maior impacto da medida
Vazão em baixa, reservatório vazio
A vazão natural do Cantareira ficou abaixo da média histórica em abril, como tem ocorrido sucessivamente ao longo dos últimos 15 anos. Desde 2011, quando São Paulo foi atingida por chuvas históricas no primeiro quadrimestre, o sistema tem recebido menos água do que o esperado para o mês.
A vazão natural é uma maneira mais adequada do que a quantidade de chuva para mensurar o quanto um reservatório está enchendo. Muitas vezes, um único temporal até representa muitos milímetros no acumulado pluviométrico de um mês, mas grande parte dessa água pode se perder no caminho até a represa, principalmente em períodos de estiagem, com solo ressecado por muito tempo.
O fato é que se esperava, baseando-se em dados históricos, que o Cantareira recebesse em abril 45.300 litros por segundo (45,3 m³/s). Entretanto, foram apenas 24.650 litros por segundo, seguindo tendência mais recente.
Desde 2011, foi em 2023 que um mês de abril mais se aproximou da média histórica, com 43.870 litros por segundo de vazão natural. Tratou-se de uma exceção. A média dos últimos 15 anos para abril é de 25.666 litros, bem próxima à registrada agora, em 2026.
Especialistas em meteorologia e também em abastecimento de água têm apontado, frequentemente, uma mudança nos padrões do clima como um dos desafios a serem encarados daqui para frente. A baixa vazão é mais um indicativo de que há alteração em curso.