
Semanas depois dos ataques de Donald Trump ao papa Leão XIV e a primeira ministra italiana Giorgia Meloni, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rúbio, vai fazer uma visita oficial ao Vaticano e a Roma nesta semana, informou a imprensa italiana neste domingo, 3.
Segundo reportagens dos jornais La Repubblica e Corriere della Sera, Rúbio deve se reunir com o cardeal Pietro Parolin, principal representante diplomático do Vaticano. Não se sabe ainda se o secretário de Trump vai se encontrar diretamente com o papa: a última vez que ele esteve com Leão foi em maio de 2025, durante a missa de posse do líder da Igreja Católica.
Natural de Chicago, no norte dos EUA, Leão XIV tem tido rusgas públicas com o governo Trump ao longo de seu primeiro ano de mandato. Em março, o papa afirmou que Deus rejeita as orações de “líderes com as mãos cheias de sangue”, em uma aparente resposta a comentários anteriores do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que utilizou crenças cristãs para justificar o conflito no Irã.
O clima hostil se tornou mais explícito pouco depois, com Trump definindo Leão como “fraco em relação ao crime e terrível para a política externa” em uma publicação nas redes sociais. Na sequência, o republicano postou uma imagem na qual aparecia como uma figura semelhante a Jesus — apagando horas depois devido à repercussão negativa.
Em comentário à agência de notícias Reuters, Leão XIV disse que não pararia de se manifestar sobre a guerra no Irã, embora tenha evitado responder diretamente a Trump. O pontífice também criticou aqueles que buscam justificativas religiosas para validar comportamentos belicosos, e atestou que que o mundo está sendo “devastado por um punhado de tiranos”.
Rubio também deverá ter conversas com os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da Itália, em uma tentativa de amenizar as tensões entre os dois países depois das críticas de Trump à primeira-ministra italiana Giorgia Meloni no mês passado. Segundo o La Repubblica, a agenda ainda não foi finalizada, e um encontro com Meloni não está descartado.
Atritos com Meloni
Trump tem feito críticas veementes aos aliados europeus por não enviarem suas Marinhas para ajudar a reabrir o nevrálgico Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta, fechada por Teerã como forma de retaliação pelos ataques americanos e israelenses. Em meio à tensão, Roma vinha adotando uma postura de equilíbrio até o final de março, quando barrou aviões americanos que transportavam armas para o Oriente Médio de usarem uma base aérea na Sicília. Na ocasião, Trump acusou a premiê italiana, Giorgia Meloni, de falta de coragem: “A Itália não esteve lá por nós, nós não estaremos lá por eles!”, escreveu nas redes sociais, ameaçando remover soldados americanos de suas bases no país.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, disse não entender os motivos do ocupante do Salão Oval para a ameaça e rejeitou as acusações de que Roma não teria ajudado Washington, especialmente em relação à segurança marítima. Crosetto ainda fez alusão às acusações de Trump de que navios com ligações europeias teriam cruzado o Estreito de Ormuz: “Isso nunca aconteceu”, declarou ele à agência de notícias à Ansa. “Também nos colocamos à disposição para uma missão de proteção da navegação. Isso foi muito apreciado pelos militares americanos.”