O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, decidiu prorrogar por mais dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek, preso na mesma operação. A informação foi confirmada ao Metrópoles, neste domingo (3/5), pela família de Ávila.
Ávila e Keshek integravam uma flotilha com destino à Gaza e foram interceptados por forças israelenses em águas internacionais, nas proximidades da Grécia.
De acordo com a esposa do brasileiro, Lara Souza, a prisão foi estendida inicialmente até uma nova audiência marcada para terça-feira (5/5), ao meio-dia, no horário local. Foram apresentadas cinco acusações contra o ativista, todas relacionadas à suspeita de associação com terrorismo e colaboração com o inimigo em período de guerra.
A defesa de Ávila sustenta que não há provas ou fundamentos concretos que embasem as acusações, que permanecem, até o momento, no campo das suspeitas. O ativista segue detido para interrogatório, sem denúncia formalizada e sem previsão para eventual oferecimento.
Prisão
Ávila foi preso na última quarta-feira (29/4) pelo Exército de Israel enquanto integrava a delegação da Global Sumud Flotilla, grupo que tenta levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Na mesma ação, também foi detido o ativista espanhol Saif Abu Keshek.
Segundo a organização de direitos humanos Adalah, o brasileiro relatou ter sido mantido em isolamento e com os olhos vendados após a detenção. Ávila também teria afirmado aos advogados que sofreu agressões durante a abordagem, incluindo espancamentos que o fizeram desmaiar.
A Global Sumud Flotilla afirma que mais de 22 embarcações e cerca de 175 ativistas foram colocados sob custódia pelas forças israelenses durante a operação.
Esta é a terceira vez que o brasileiro é detido em pouco mais de um mês. Antes de Israel, ele havia sido preso no Panamá, em 25 de março, e na Argentina, no dia 31 do mesmo mês, quando acabou deportado para Barcelona, na Espanha.
Israel diz que ativistas têm ligação com o Hamas
O governo de Israel sustenta que os ativistas têm ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta atuação em favor do grupo Hamas. As autoridades israelenses afirmam que Abu Keshek tem papel relevante na entidade e que Ávila é suspeito de envolvimento em atividades ilegais.
Já os organizadores da flotilha dizem que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros de Gaza, em águas internacionais, e classificam a ação como ilegal.
Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram uma nota conjunta condenando a detenção dos ativistas. No comunicado, os países afirmam que a ação de Israel viola o direito internacional e pode ser questionada em instâncias judiciais internacionais.
