Fortes chuvas atingiram a Região Metropolitana do Recife na sexta-feira (1º), provocando ao menos quatro mortes, segundo o CBMPE (Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco). Em entrevista ao Agora CNN deste sábado (2), o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, explicou a dimensão do fenômeno e traçou a previsão do tempo para os próximos dias na região.

Segundo Alexandre, os 100 milímetros registrados em apenas 24 horas no Recife representam aproximadamente 35% do total esperado para um mês inteiro nessa época do ano. “É uma época do ano que chove bastante, mas 100 milímetros em apenas 24 horas realmente é muito problemático”, afirmou o especialista.

Ele acrescentou que a situação é ainda mais grave porque a região vem sofrendo de forma persistente com chuvas intensas desde março, acumulando entre 500 e 600 milímetros nos últimos 30 dias, volume bem superior à média esperada de 300 a 350 milímetros para o período.

Alexandre Nascimento destacou que, apesar de Recife ser uma cidade costeira, o escoamento da água para o oceano não é simples nessas condições. Ventos soprando dos quadrantes sul e sudeste com intensidade moderada a forte, combinados com períodos de maré alta, dificultam o fluxo natural da água em direção ao mar.

Além disso, o meteorologista ressaltou que o problema não é apenas local: regiões a até 200 quilômetros de Recife também registraram volumes semelhantes de chuva nas últimas 24 a 48 horas, e toda essa água tende a escoar pelas cidades litorâneas.

“Se você tem um rio que passa por essa cidade que está a leste, e esse rio vai desembocar no litoral, e no meio do caminho tem mais de 100, 200 milímetros de chuva, o problema é exatamente isso”, explicou.

A situação crítica não se restringe ao Recife. De acordo com o especialista, João Pessoa também registrou mais de 100 milímetros de chuva nas últimas 24 horas e vem sofrendo com precipitações persistentes. O governo da Paraíba decretou estado de calamidade pública no estado.

Na região de Olinda, na região metropolitana de Recife, que inclui áreas montanhosas como o Alto da Conquista, o acumulado entre quinta-feira e a noite de sexta-feira chegou a aproximadamente 200 milímetros. o dobro do volume já considerado problemático. “Essa pontinha do Nordeste está bastante problemática”, resumiu Alexandre Nascimento.

Previsão aponta chuvas até terça-feira

Segundo o meteorologista, a expectativa é de que as chuvas continuem até pelo menos terça-feira (5). Ele explicou que o fenômeno responsável pelas precipitações é chamado de “ondas de leste”, sistemas que se propagam pelo oceano e atingem a faixa leste do Nordeste, normalmente entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco, passando pela Paraíba.

“Até terça-feira, acredito que a Defesa Civil vai manter o alerta de risco de chuva forte”, afirmou. Um segundo sistema meteorológico semelhante deve chegar à mesma região entre segunda e terça-feira.

O meteorologista também explicou o contraste climático característico do Nordeste: enquanto a faixa litorânea enfrenta enchentes, o sertão permanece seco. Isso ocorre porque as ondas de leste perdem umidade à medida que avançam do oceano para o interior do continente.

“À medida que esses sistemas avançam do oceano, eles deixam de ter o aporte de umidade do oceano, então a chuva vai diminuindo até o momento em que ela para”, detalhou.

Outros sistemas meteorológicos, como a zona de convergência intertropical, atuam mais ao norte, e as frentes frias dificilmente alcançam o interior do Nordeste com intensidade. O resultado é um ciclo em que a falta de água no sertão dificulta ainda mais a formação de chuvas na região.



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