A paralisação do fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz terá um impacto cada vez maior nas próximas semanas, à medida que os estoques existentes forem reduzidos, segundo executivos e analistas do setor.
A oferta caiu de cerca de 20 milhões de barris por dia antes do conflito — e, consequentemente, do fechamento do Estreito — para aproximadamente um bilhão de barris por dia em abril, informou o grupo de inteligência marítima Kpler na sexta-feira (1º).
“Embora uma recuperação gradual possa começar a partir de junho, o mercado global de petróleo mais está mais restrito e cada vez mais dependente dos estoques e do ajuste da demanda”, afirmou a Kpler.
Um dos executivos do setor petrolífero americano que se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira (30), disse que o mercado ainda não absorveu todo o impacto da interrupção.
“Haverá mais por vir se o Estreito permanecer fechado”, sinalizou o CEO da Exxon, Darren Woods, aos acionistas na sexta-feira (1º).
A interrupção no fornecimento foi atenuada pelo grande número de petroleiros carregados que estavam em trânsito durante o primeiro mês da guerra, pela liberação de reservas estratégicas de petróleo pelos governos e pelo uso dos estoques, destacou Woods.
Analistas apontam que essa reserva agora está esgotada. De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), os estoques de gasolina nos EUA caíram para 222 milhões de barris em 24 de abril, o menor nível para esta época do ano em mais de uma década.
Nos últimos dias, houve apenas algumas travessias pelo Estreito de Ormuz, de acordo com a Kpler e outras fontes de dados de navegação.
A Marinha do Reino Unido afirmou na sexta-feira (1º) que “o tráfego no Estreito de Ormuz caiu 90% desde o início do conflito, com menos de 10 navios por dia transitando pela via”, e cerca de 20.000 marinheiros estão presos em navios no Golfo.
Trump disse na sexta (1º) que havia outras opções além do bloqueio americano aos portos iranianos.
O Irã não demonstrou qualquer disposição para ceder no controle sobre Ormuz.
“A nova administração do Golfo será implementada sob o comando do Líder Supremo”, publicou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.