Shakira tem uma ligação de mais de duas décadas com o Brasil. Na turnê Las Mujeres Ya No Lloran World Tour isso foi além; e a colombiana convidou Dario Mittman, estilista de Santa Catarina, para desenhar alguns dos figurinos da turnê. O designer já tinha trabalhado com a cantora anos antes para uma campanha, mas foi escolhido a dedo para fazer uma das partes mais importantes de um show. Formado em Moda pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Dario sempre foi apaixonado por cultura pop. Ainda na faculdade, passou a entrar em contato com a produção de artistas brasileiros, para dar peças de roupas em apresentação. Logo o jogo se inverteu: parou de procurar as cantoras, e elas começaram a procurá-lo. A lista de estrekas que já trabalharam com ele é longa: Anitta, Iza, Pablo Vittar, Karol Conká, Ludmillla, entre outras. Dario conversou com a coluna GENTE sobre como é trabalhar com Shakira. 

Como é o processo para produzir as peças exclusivas? É bem desafiador sair da zona de conforto e criar a identidade de outra pessoa, mas é uma responsabilidade também. Geralmente, a gente recebe esse briefing do artista falando um pouco do que é aquela identidade visual e do que eles pensam de peça. Eu sempre tive a liberdade de criar a roupa baseada nessa ideia e isso sempre me motivou. Fico feliz de poder contribuir dessa forma. Mas, quando um artista vem trabalhar com um estilista que tem uma identidade visual já forte, eles já vêm procurando de acordo com o que a gente já trabalhou. É uma união de conceitos. O trabalho começa ali com desenho, mas transforma numa peça, ajusta, volta para como estava, é uma construção junta.

Como surgiu o convite para trabalhar com a Shakira?  Eu comecei com ela em 2024 numa campanha publicitária de uma marca mundial. Eles queriam um estilista latino para vestir a Shakira nessa campanha e cada país selecionou alguém. Depois dela escolher três pessoas, a gente desenhou com base nas propostas e mandou ela escolher. 

E para a turnê Las Mujeres Ya No Lloran World Tour? Depois de uns meses da campanha, o estilista dela entrou em contato e pediu que eu fizesse um dos looks para a tour. Nessa época eu não sabia que começaria no Brasil e seria para a turnê toda. Eu já estava bem feliz só com um show, mas depois a gente acabou trabalhando em vários looks pra turnê. Eu a conheci quando ela veio aqui no Brasil e agora tem essa felicidade do show no Rio. No ano passado eu estava trabalhando numa campanha publicitária do Todo Mundo no Rio e assisti ao show da Lady Gaga e pensei: ‘Nossa, imagina como deve ser incrível fazer um figurino para um show desse’. E mal sabia que um ano depois faria esse figurino ali para Shakira.

Vai ter novas roupas? Vai. Eu acho que esse show começa uma nova etapa da tour. Esse show no Rio é uma grande virada. Só  não sei muito de todo show, mas sei da parte que fiz o figurino. E tem novidades, o balé aumentou, um tamanho muito maior. O final do show vai ser uma grande celebração também. Vai ser um showzaço, o maior show da tour. 

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Quantas peças você já fez? Acho que sete até agora e a gente já está trabalhando nos próximos.

Por que escolheu a estética de She WolfQuando fiz, eles já vieram com essa proposta para trabalhar. Na verdade toda a narrativa do show dela, aqueles filmes que passam, os interlúdios do show trazem essa história da Shakira ‘Loba’. Esse encerramento do show que entra aquela loba gigante no palco e é realmente essa Shakira alicântropa se transformando. O stylist dela selecionou algumas coisas que eu já tinha feito para as minhas coleções que ele gostou bastante. Ele falou que queria fazer para a Shakira algo único daquele estilo. Assim eu criei essa identidade da loba, da tatuagem, dessa coisa mais tribal que combina muito com ela, mas também futurista que combina muito com esse final do show que é super eletrônico,  praticamente uma rave ali no palco.

Teve alguma exigência em relação ao figurino?  É um processo bem longo até a gente chegar na versão oficial. As pessoas acham que deve ser rápido, mas talvez é. A primeira versão a gente trabalhou oito meses. Foram várias idas para Miami, acho que tem mais de dez versões. Esse figurino do Rio, em específico, foi uns dois meses e meio trabalhando nele até chegar na versão final. Agora que eu já trabalho um tempo com ela, já sei mais assertivamente as coisas que dão certo. A principal exigência dela é que sempre seja confortável, mas para ela possa dançar e que tenha l impacto visual. Por exemplo, o tecido que faz o look dela é um tecido que vem dos Estados Unidos, porque tem que ser algo muito fresco, mas ao mesmo tempo resistente. O figurino é tão fino, que parece uma pelezinha de ovo e que vai rasgar a qualquer momento, mas não vai. 

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Foi um desafio pensar numa roupa em tão pouco tempo? Eles encomendaram o figurino do Todo Mundo no Rio um dia antes de ser anunciado o show dela. Então, foi três meses real. Não teve um: Você sabia antes do show de Todo Mundo?’. Não sabia não nem quando ela ia fazer o show aqui no Brasil a primeira vez, só quando o público soube aí falaram pra mim.  Eu fiquei sabendo as coisas ao mesmo tempo que vocês. 

Croqui do projeto
Croqui do projeto (Dario Mittman/Divulgação)



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