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O Sepultura foi criado em 1984. Como foi enfrentar os desgastes dentro da banda ao longo desse tempo? Estamos mais unidos do que nunca — e por isso vamos parar. Fizemos um EP sensacional, estamos preparando um disco ao vivo para 2027 e a turnê está indo muito bem. Não é uma despedida porque estamos com problemas. Queremos manter a criatividade em alta e explorar outros territórios. Talvez no futuro a gente volte. Ou não. Mas isso é irrelevante agora.

As músicas do novo EP, The Cloud of Unknowing, tratam de temas políticos, de religião, raça e espiritualidade. Por que essa temática? A arte tem a função de estimular pensamentos e tirar as pessoas da zona de conforto. Expressar opinião é ser político — mas quem escuta pode ter uma interpretação diferente do que tivemos a intenção de dizer. Então, não crio expectativas.

A banda é mais reconhecida fora do Brasil do que por aqui. Por que? Existe uma ignorância em relação ao gênero. O heavy metal é uma nação inclusiva, que abraça todo o tipo de pessoa. Mas não se fala disso, só olham para os estereótipos. Neste mês, temos a agenda lotada de shows pelos Estados Unidos. Neste ano, ainda vamos para a Europa.

O que quer fazer ao fim da turnê? Coisas que me desafiem como artista e como pessoa. Cada um dos integrantes (formação que inclui Derrick Green, Greyson Nekrutman e Paulo Xisto Jr.) já toca projetos paralelos. No meu caso, tenho um programa na Rádio Rock e outra banda, a De La Tierra. Cuido ainda do movimento Mãetricia, sobre cuidados paliativos, e do festival beneficente Pat Fest.

Esses dois projetos nasceram em homenagem à sua esposa, Patrícia, que morreu de câncer em 2022. O que aprendeu com o luto? A morte tem me ensinado a viver melhor, a respeitar a finitude. Morte não é derrota, não é punição. Ela é inevitável, por isso o presente é tão importante. O caso da Patrícia era clássico de eutanásia e passei a questionar a razão de não falarmos sobre isso aqui. Precisamos falar de morte neste país.

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Quanto o luto influenciou a decisão de encerrar as atividades da banda? Não foi a razão principal, mas mudou minha ideia de finitude. Com a turnê, sinto que encerramos um ciclo.

O que planejam para o Rock in Rio? Faremos um setlist especial só com músicas de 1998 para cá, quando Derrick entrou na banda. Será algo único e exclusivo.

Por qual razão gostaria que o Sepultura fosse lembrado? Muita gente não vai nem saber que o Sepultura existiu e outros vão ter uma relação conosco para sempre, e isso é fantástico. Agradeço por esses fãs que mantiveram a banda relevante por 42 anos.

Publicado em VEJA de 1º de maio de 2026, edição nº 2993



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