
Ler Resumo
Em meio à frenética repercussão da rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), rapidamente começou a circular uma fala do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), vazada de forma aparentemente acidental no microfone que o parlamentar usa na lapela do terno para comandar as sessões plenárias.
“Acho que ele vai perder por oito”, disse o chefe do Congresso ao líder do governo no Senado, Jorge Wagner (PT-BA), segundo antes de proclamar a derrota por 42 votos contra e 34 a favor do advogado-geral da União.
Quem vinha conversando com Alcolumbre nos dias que antecederam a votação não se surpreendeu com a precisão do vaticínio. Um dos interlocutores mais assíduos do senador telefonou para ele nos últimos minutos da terça-feira, 28, véspera do veredito sobre o indicado de Lula. “Messias só tem de 33 a 35 votos”, previu o amapaense, confiante na própria articulação contra a escolha do chefe da AGU.
O diálogo revela o descolamento flagrante entre os líderes parlamentares do governo e o humor predominante no Senado. Já depois de Alcolumbre anunciar o resultado, pipocaram relatos sobre como esses porta-vozes do Palácio do Planalto perceberam o revés iminente já dentro do plenário da Casa e tentaram, sem sucesso, convencer o presidente a adiar a sessão.
Senadores que integram a base governista não petista tentaram alertar o governo Lula de que a derrota era certa. Lembraram que, na votação sobre a recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet (45 votos a 26), e a indicação de Flávio Dino ao Supremo (47 a 31), o Executivo federal contou com esforço máximo do chefe do Legislativo e, mesmo assim, conseguiu as aprovações com margens apertadas.
“Não sei onde estavam com a cabeça de não entender a atuação do Davi e insistir em não conversar com ele”, desabafa um desses congressistas. A perspectiva para a relação entre o Executivo e o Congresso nos próximos meses é sombria. “Agora é guerra. A impressão de que o Senado era a Casa que o governo administrava está perdida. É melhor concentrar na campanha”, diz um aliado de Lula.