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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, dia 1º, que não está satisfeito com uma nova proposta do Irã para retomar negociações que encerrem a guerra no Oriente Médio, enquanto as conversas entre ambas as partes continuam estagnadas em meio a um cessar-fogo que vigora, embora frágil, há mais de três semanas.

“Neste momento, não estou satisfeito com o que eles estão oferecendo”, declarou o líder americano a jornalistas.

Nesta manhã, a agência de notícias iraniana IRNA anunciou que a República Islâmica havia entregado na noite de quinta-feira, através do mediador Paquistão, o texto mais recente de seu plano para uma nova rodada de negociações — depois que o primeiro diálogo na capital paquistanesa, Islamabad, em 11 de abril, terminou em fracasso. Teerã não forneceu detalhes sobre o conteúdo da oferta.

Anteriormente, a Casa Branca havia rejeitado fazer comentários sobre uma nova proposta iraniana. “As conversas continuam. Não fornecemos detalhes sobre conversas privadas”, afirmou Anna Kelly, porta-voz do governo americano, em uma declaração transmitida à AFP.

Na nota, ela reiterou que Trump “deixou claro que o Irã nunca deve se dotar de armas nucleares e as negociações continuam para garantir a segurança nacional a curto e longo prazo dos Estados Unidos”.

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Nova proposta

Segundo especialistas, o movimento reflete uma estratégia calculada de Teerã para romper o impasse diplomático atual. Na última oferta, os aiatolás haviam separado as preocupações urgentes com segurança regional das questões de longo prazo: pediram um acerto para a reabertura completa do nevrálgico Estreito de Ormuz, incluindo o levantamento do bloqueio naval da Marinha americana contra portos e navios iranianos, deixando para depois as tratativas sobre o seu programa nuclear.

A ideia foi descartada pelo presidente Donald Trump na quarta-feira 29, justamente por deixar de fora o ponto que, afinal, sempre
foi a razão de ser do confronto: a paralisação do enriquecimento de urânio no Irã e um compromisso de que o país jamais terá uma arma nuclear, assunto que eles sugeriram adiar para depois do desfecho da guerra, em um horizonte não determinado.

Em entrevista ao portal de notícias Axios, o líder americano deixou claro que sua Marinha vai manter seu bloqueio naval aos portos iranianos, em vigor há mais de duas semanas, se não houver um acordo que atenda às exigências de Washington sobre o programa nuclear dos aiatolás.

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O Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no planeta, foi fechado pelo Irã em retaliação à ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, que começou em 28 de fevereiro. A Marinha americana passou a aplicar seu próprio bloqueio naval na região em 13 de abril, de modo a tentar enfraquecer o regime dos aiatolás por meio do cerco à sua exportação de petróleo, principal pilar da economia local que, ao longo de toda a batalha, vinha enchendo os cofres iranianos enquanto eles reinavam quase absolutos sobre Ormuz.

Nesta sexta, os Estados Unidos também anunciaram novas sanções a três casas de câmbio iranianas, em uma tentativa de atingir o “fornecimento financeiro” do país. O Departamento do Tesouro advertiu ainda que tem na mira de futuras sanções o sistema de pedágio que o Irã quer implantar no Estreito de Ormuz.

Pressão

Um cessar-fogo, que pausou as hostilidades abertas entre os países desde 7 de abril, foi estendido por Trump por tempo indeterminado, embora ele tenha continuado a fazer ameaças alarmantes ao regime iraniano. Nesta semana, ele publicou nas redes sociais uma imagem gerada por IA em que se exibe armado com fuzil, usando terno e óculos estilo aviador em frente a um cenário de explosões no Oriente Médio, com a legenda: “Chega de ser bonzinho”.

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Durante uma reunião com empresários do setor petrolífero na quinta-feira 30, Trump mencionou a possibilidade de prolongar o bloqueio naval dos portos iranianos por “vários meses” se necessário, segundo um funcionário do alto escalão da Casa Branca.

O presidente tem, teoricamente, até esta sexta-feira para solicitar ao Congresso a autorização para continuar a ofensiva no Oriente Médio. Segundo a Constituição dos Estados Unidos, apenas o legislativo tem a prerrogativa de declarar guerra, mas uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção limitada para responder a uma situação de emergência, desde que peça autorização para mobilizar tropas por mais de 60 dias.

Esta sexta-feira é o prazo final, mas o seu governo deu a entender que ignorará essa obrigação. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, argumentou que, devido ao cessar-fogo, “o prazo de 60 dias fica suspenso”.



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