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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na quinta-feira 30 remover da Itália e da Espanha os soldados americanos estacionados em bases locais, um dia depois de afirmar que estava considerando reduzir o contingente militar de seu país na Alemanha.
A ameaça, que ele já havia proferido em atritos anteriores com países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), foi renovada após o chanceler alemão, Friedrich Merz, dizer que os Estados Unidos estavam sendo “humilhados” pelo Irã no conflito no Oriente Médio. Trump tem feito críticas veementes aos aliados europeus (“covardes”, disparou) por não enviarem suas Marinhas para ajudar a reabrir o nevrálgico Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta, fechada por Teerã como forma de retaliação pelos ataques americanos e israelenses.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, se manifestou contra a guerra desde o início, tornando-se o mais vocal crítico europeu do presidente dos Estados Unidos, enquanto Roma vinha adotando uma postura de equilíbrio até o final de março, quando barrou aviões americanos que transportavam armas para o Oriente Médio de usarem uma base aérea na Sicília. Na ocasião, Trump acusou a premiê italiana, Giorgia Meloni, de falta de coragem: “A Itália não esteve lá por nós, nós não estaremos lá por eles!”, escreveu nas redes sociais.
Questionado na noite de quinta-feira a possibilidade de retirar soldados americanos da Itália e da Espanha, Trump disse a repórteres: “Provavelmente… veja bem, por que não? A Itália não nos ajudou em nada e a Espanha foi horrível, absolutamente horrível.”
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, disse não entender os motivos do ocupante do Salão Oval para a ameaça e rejeitou as acusações de que Roma não teria ajudado Washington, especialmente em relação à segurança marítima. Crosetto ainda fez alusão às acusações de Trump de que navios com ligações europeias teriam cruzado o Estreito de Ormuz: “Isso nunca aconteceu”, declarou ele à agência de notícias à Ansa. “Também nos colocamos à disposição para uma missão de proteção da navegação. Isso foi muito apreciado pelos militares americanos.”
“Punição”
Não houve resposta oficial imediata da Espanha, que negou totalmente às forças americanas permissão para usar bases militares em seu território para ataques contra o Irã e fechou seu espaço aéreo para aviões americanos. No mês passado, Trump ameaçou cortar todas as relações comerciais com Madri.
Cerca de 13.000 militares americanos estão estacionados em sete bases navais na Itália (uma das principais, em Sigonella, na Sicília, ganhou os holofotes devido a protestos de habitantes locais contra a guerra), enquanto 3.800 soldados dos Estados Unidos na Espanha se concentra em duas instalações de uso conjunto: a base naval de Rota e a base aérea de Morón — ambas estão sob soberania espanhola e são comandadas por oficiais espanhóis, mas recebem financiamento significativo de Washington. Os ativos são vistos como elementos centrais da projeção de poder americano no Mediterrâneo e no Atlântico.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, Sánchez minimizou as notícias de que o Pentágono estaria considerando punir aliados “difíceis” da Otan que se mostram relutantes em conceder aos Estados Unidos acesso a bases para ataques ao Irã. O primeiro-ministro espanhol já havia irritado o presidente americano no ano passado ao rejeitar a proposta para que os Estados-membros da organização militar aumentassem seus gastos com defesa para 5% do PIB, afirmando que a ideia seria “não apenas irracional, mas também contraproducente”.
Em uma cúpula da União Europeia na semana passada, Sánchez disse que a “guerra ilegal” de Trump mostrou “o fracasso da força bruta”. Ele já havia declarado que seu país não seria “cúmplice de algo que é ruim para o mundo e que também é contrário aos nossos valores e interesses”.