
Ghost: Do outro lado da vida. Um filme que marcou gerações e demonstrou como o amor verdadeiro e a amizade sincera podem nos equilibrar emocionalmente e facilitar o entendimento de coisas nem sempre fáceis de explicar.
Hoje, falaremos da relação médico-paciente, um encontro que vai muito além de uma consulta e que exige certa compreensão de ambas as partes. Não citarei ou julgarei erros médicos. O meu interesse é mostrar o correto, o justo, o quanto essa relação pode acolher, aproximar e envolver uma conexão profunda como a do filme.
O paciente ao buscar o médico a faz de forma espontânea. É o paciente que decide pela relação. Mas é a atitude do médico que dará continuidade a essa escolha: ao acolher sem pressa, transmitir segurança, honrar a confiança do paciente com responsabilidade.
E conforme vão se conhecendo melhor nas consultas, conversam muito e decidem por dar continuidade a esse vínculo. É um convívio que pode ser longo, em quartos de hospitais, sala de exames, centros cirúrgicos ou unidades de terapia. E, como na vida, relações prolongadas podem sofrer desgastes, por isso, o cuidado deve ser eterno.
Todos nós sabemos que existe a falsa relação de amizade, onde a desconfiança, a descredibilidade, o julgamento e o ódio desmascaram e diferenciam quem é amigo de quem é colega.
Na trama de Hollywood, temos um casal que se ama, se entende, mas, com o assassinato dele, um falso amigo se aproxima da sua esposa. Ele tenta seduzi-la e enganá-la. E assim como na medicina, existem os casos de médicos que se dedicam por anos ao estudo e ao cuidado com o paciente e tudo pode acabar caso essa relação se complique.
O universo do atendimento de pacientes nos dias de hoje, como em qualquer profissão é muito diverso. As pessoas mudaram, a vida mudou, mas o modelo dessa relação ainda é o mesmo. Espera-se seriedade, cuidado técnico, atenção de um lado e compreensão e paciência do outro para evitar o “ghosting” — a expressão em voga para o sumiço repentino que deixa um sentimento de abandono.
Mas o que há de mais bonito nessa relação é quando a presença ultrapassa os protocolos, quando mesmo depois da consulta, algo permanece. Se o lado médico cumpre suas obrigações, cabe ao paciente entender, compreender, apoiar as decisões, como o casal da trama, que nunca duvidou um do outro.
É importante diferenciar a intercorrência da complicação, a tentativa da imprudência, o descanso da negligência, o ousar para salvar da imperícia. Muitas vezes a doença se torna incontrolável ou seu tratamento ainda é limitado. E não há culpados nesse caso.
Hoje, mais do que nunca, nós médicos temos que criar e sentir que o paciente está do nosso lado, acreditando no que falamos porque é esse elo invisível que sustentará o encontro entre quem cuida e quem precisa ser cuidado.