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A Yara, uma das maiores fabricantes de fertilizantes do mundo, alertou que a interrupção nas cadeias de fornecimento do produto essencial à agricultura e dos seus ingredientes, devido à guerra no Irã, pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o planeta. Em entrevista à emissora britânica BBC, publicada nesta sexta-feira, dia 1º, o diretor executivo da empresa, Svein Tore Holsether, afirmou ainda que o choque afetará os países mais pobres com mais intensidade.

“Estamos deixando de produzir até meio milhão de toneladas de fertilizantes nitrogenados no mundo devido à situação atual”, disse Holsether. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimo que até 10 bilhões de refeições por semana deixarão de ser produzidas por falta de fertilizantes.”

Segundo ele, as hostilidades no Oriente Médio colocam em risco a produção global de alimentos, em especial devido ao bloqueio do nevrálgico Estreito de Ormuz. Além de ser responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo consumido no planeta, a rota marítima responde pelo transporte de um terço do comércio mundial de fertilizantes — como ureia, potássio, amônia e fosfatos.

O preço dos fertilizantes já subiu 80% desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

O executivo ressaltou que uma queda no fornecimento de adubo levará à redução na produtividade agrícola (até 50% na primeira safra para algumas culturas, afirmou Holsether), arriscando uma guerra de preços. Ele instou nações europeias, em especial, a considerarem cuidadosamente o impacto de uma guerra de preços sobre os “mais vulneráveis” em outros países.

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“O mercado de fertilizantes é global, então esses fertilizantes estão se espalhando pelo planeta, mas os principais destinos seriam a Ásia, o Sudeste Asiático, a África e a América Latina, onde o impacto mais imediato seria sentido”, afirmou ele.

Regiões do mundo onde já há subfertilização, como diversos países da África Subsaariana, poderiam sofrer um impacto ainda maior na produtividade agrícola, acrescentou o diretor da Yara, dizendo que “quedas significativas” são possíveis. Isso tem implicações para “acessibilidade aos alimentos, escassez de alimentos e fome”, completou.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio podem levar 45 milhões de pessoas adicionais à fome aguda em 2026.



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