
O pacote de reformas que vem sendo promovidas pelo desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, chegou à segurança, uma das áreas mais sensíveis do estado. O magistrado decidiu retirar da Secretaria de Governo a gestão do programa Segurança Presente, de policiamento ostensivo. O programa passará a ser administrado pela Secretaria de Polícia Militar.
Com a mudanças, todos os servidores concursados e comissionados serão transferidos de uma pasta para a outra. Segundo o decreto, publicado no Diário Oficial do Estado, a reorganização não terá custos adicionais.
A Polícia Militar também vai assumir outro programa de segurança, o Barricada Zero, que tem como missão remover obstáculos criados pelo crime organizado para impedir a circulação de policiais e moradores em favelas do Rio. O programa estava na estrutura administrativa do Gabinete de Segurança Institucional.
Uma planilha apreendida pela Polícia Federal com o ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, revelou que parlamentares tinham cotas no programa Segurança Presente. O documento aponta pedidos de indicação para cargos na operação.
Pouco mais de um mês após assumir interinamente o governo, Ricardo Couto mudou quase um terço do primeiro escalão do Palácio Guanabara. As mudanças vêm sendo feitas gradualmente. Primeiro, o desembargador buscou cortar gastos para promover um ajuste nas finanças. Em seguida, a reforma alcançou cargos políticos. Nomes indicados pelo ex-governador Cláudio Castro para postos-chave foram substituídos. O magistrado tem se cercado de procuradores do estado, que assim como ele têm formação jurídica. Além disso, Couto cobrou informações de todas as secretarias sobre contratos em curso para fazer um pente-fino nas contratações.
Para a classe política fluminense, as mudanças são um sinal de que o desembargador não deve deixar o governo em breve. O estado precisa organizar eleições para governador, para definir quem vai concluir o mandato de Cláudio Castro, mas divergências sobre qual deve ser o formato da eleição – direta ou indireta – impedem a votação. A palavra final cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não emitiu uma decisão definitiva.