
A cirurgia realizada para reparo do manguito rotador, grupo de músculos e tendões, no ombro direito do ex-presidente Jair Bolsonaro terminou sem intercorrências, segundo o boletim médico divulgado na tarde desta sexta-feira, 1º, pelo Hospital DF Star, localizado em Brasília.
Segundo o informe, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de reparo artroscópico, um procedimento minimamente invasivo, e está “internado em unidade de internação para controle de dor e observação clínica”.
Não há informações sobre previsão de alta no boletim assinado pelo ortopedista e cirurgião de ombro Alexandre Firmino Paniago, o cirurgião-geral Claudio Birolini, os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, e o diretor-geral Allisson B. Barcelos Borges.
Autorização para cirurgia
Condenado a 27 anos e três meses de prisão, o ex-presidente voltou para a prisão domiciliar em 24 de março após se recuperar de uma internação para tratar um quadro de broncopneumonia por aspiração. No mês passado, seus advogados solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a autorização para realização da cirurgia no ombro.
No pedido, a defesa pediu que o aval incluísse todas as etapas do tratamento, como atos preparatórios, pré-operatório, internação, realização da cirurgia, pós-operatório e reabilitação.
Com a liberação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, nesta sexta-feira, 30, ele foi levado ao hospital nesta manhã para a realização da cirurgia que, de acordo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, duraria três horas.
Manguito rotador
Conjunto de quatro músculos e tendões, o manguito rotador envolve a cabeça do úmero (o maior osso dos membros superiores) e tem a função de estabilizar e fixar o ombro.
“Ele é responsável por praticamente todos os movimentos do ombro: elevar o braço, girá-lo para dentro e para fora, e estabilizar a articulação durante atividades do dia a dia e esportivas. É uma estrutura fundamental”, explica Ana Paula Simões, médica do esporte e ortopedista- diretora da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.
De acordo com a especialista, o nível de gravidade das lesões na estrutura pode variar de quadros leves, com inflamações e pequenas rupturas parciais, até os mais graves, com rupturas completas nos tendões.
Nos casos leves, os pacientes costuma reclamar de dor e limitações nos movimentos. “No caso mais grave, a pessoa sente dor intensa, fraqueza importante para elevar o braço e ocorre perda significativa da função. Sem tratamento adequado, a lesão pode progredir e comprometer também a cartilagem e o osso, tornando a cirurgia mais complexa.”
Simões explica que as cirurgias são realizadas com técnica minimamente invasiva, por via artroscópica, utilizando câmera e instrumentos introduzidos por pequenas incisões.
“Durante o procedimento, o cirurgião identifica o tendão rompido e o refixa ao osso utilizando âncoras, pequenos parafusos bioabsorvíveis ou de titânio, que ficam ancorados no úmero e têm fios que suturam o tendão de volta à sua inserção original”, descreve. “Dependendo da lesão, podem ser necessárias duas, três ou mais âncoras. Em casos de ruptura muito extensa e antiga, pode ser necessário o uso de enxertos biológicos para reforço, mas isso é menos comum”, completa.
O processo de recuperação envolve a imobilização do braço por quatro a seis semanas com uso de tipoia. Depois, o paciente deve fazer fisioterapia.
“A recuperação funcional completa leva, em média, de quatro a seis meses, tudo dependendo do tamanho da lesão e da resposta individual. A adesão à reabilitação é tão importante quanto a cirurgia em si”, finaliza.