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Sob o sol forte do Ceará, ventos constantes, uma praia paradisíaca em frente e muita diversão, o Beach Park inspira alguns ditados locais. Um deles é categórico: “Quem ‘banha-se’ nas águas do parque sai encantado e vai querer voltar”. A frase, confesso, me chamou a atenção e instigou a pergunta “Será isso mesmo?”. Quis botar a prova, ainda mais com o desafio de testar a “Surreal”, reconhecida esta semana pelo Guinness World Records, o livro dos recordes, como a maior montanha-russa aquática do mundo. A atração, com 28 metros de altura – o equivalente a um prédio de nove andares –, desbancou o brinquedo americano “Tsunami Surge”, do parque aquático Hurricare Harbor, em Illinois (nos arredores de Chicago), com 26 metros de altura.

Com medo de altura e pouco afeita a brinquedos aquáticos mais radicais, será que conseguiria testar aquela atração? Nos dias que antecederam a viagem a Aquiraz, no litoral cearense, onde fica o Beach Park, meu coração já acelerava só de pensar no desafio que teria pela frente. Sabia que a atração durava apenas 77 segundos (ou 1 minuto e 17 segundos, mas imaginava que, com medo, poderia parecer muito mais), em um percurso de estruturas tubulares com 340 metros de extensão e velocidades que chegam a 42 km/h. Com uma narrativa visual e design inspirados no surfe, tinha a informação também que o brinquedo unia elementos como um ‘big drop’ (queda) de 7 metros, espirais que fazem referência aos ‘cutbacks’ (uma curva em forma de S) e efeitos translúcidos que simulam a leveza de um ‘floater’ (deslizar sobre a espuma). A proposta da atração, por tudo que sabia até ali, era transportar o público para uma experiência imersiva e emocionante.
Mas chegou o grande dia de testar tudo aquilo que eu já havia lido e visto em vídeos sobre o “Surreal”. A experiência começa ainda nos vários lances de escada que dão acesso à plataforma, de onde saem as boias – sempre com duas pessoas, sendo a mais leve na frente – para a aventura. A escadaria, sem degraus ou corrimões vazados, dá uma sensação de segurança e proporciona uma vista panorâmica do parque e da Praia das Dunas, que fica em frente. O visual, não tem como negar, amenizou o meu temor por alguns instantes. Mas só por alguns instantes. À medida que eu ia me aproximando do local de descida, porém, minha perna foi ficando bamba e meu coração veio à boca. Vou ou não vou, vale a pena ou não, o que devo fazer? As perguntas martelavam na minha cabeça.

Lá em cima, com várias pessoas atrás na fila (várias delas incentivando a minha aventura), decidi que iria enfrentar a “Surreal” mesmo com medo. Sentada na boia e com os óculos devidamente presos no maiô (não pode usar nenhum acessório, nem celulares e câmeras), respirei fundo e só fui. Depois da queda inicial de 7 metros, que dá um frio na barriga, o trajeto alterna curvas fechadas, túneis multicoloridos e trajetos impulsionados por jatos d’água, que dão uma sensação contínua de aceleração. Quando o percurso termina, você sai em um tubo mais largo e aterrissa numa piscina. A sensação, tenho que admitir, é que durou bem menos do que eu imaginava, vem junto um bem-estar e, imediatamente, dá aquela vontade de repetir. A experiência, pude atestar, tem adrenalina, mas também contemplação e é uma delícia. Funciona bem até para os mais medrosos, como eu.

Tantos diferenciais fizeram da “Surreal”, que foi inaugurada em março de 2025 e esta semana recebeu o selo do Guinness, a principal atração do Aqua Park – nome oficial do local, que integra o complexo Beach Park. Com um investimento de 30 milhões de reais, o brinquedo, um sucesso imediato junto ao público, também impactou na operação do parque. Pela primeira vez na história, ele implementou o sistema de ingresso “fast pass”, permitindo acesso prioritário à atração. Além de ser detentor da maior montanha-russa aquática do planeta, o Beach Park é considerado o segundo melhor parque aquático do mundo e o melhor das Américas, de acordo com o TripAdvisor (Travellers’ Choice 2025). “O reconhecimento reforça a trajetória do Beach Park como referência global em entretenimento. O Surreal amplia essa projeção e traduz o trabalho do nosso time. Nosso foco é continuar elevando o nível da experiência e surpreendendo o público”, afirma Murilo Pascoal, CEO do Beach Park.

Com 40 anos de história, o Beach Park, que ocupa uma área de 250 000 metros quadrados, é hoje um complexo que reúne, além da estrutura aquática (com mais de 30 atrações), o Parque Arvorar, inaugurado em 2025. O novo parque é um destino ecológico e de educação ambiental focado na preservação de aves brasileiras. Além do Aqua Park e do Arvorar, o complexo conta com quatro resorts, todos quase colados ao Aqua Park. Um novo hotel com um investimento de cerca de 150 milhões de reais, o Ohana Beach Park Resort, está em construção e deve ser inaugurado ainda este ano – unindo um padrão mais elevado junto com funcionalidade. A estrutura contará, entre outros, com 226 apartamentos, entre 47 e 270 metros quadrados, uma piscina de 400 metros quadrados, uma super área kids e uma academia de última geração. Diante de tantos atrativos e da minha experiência no Beach Park, incluindo a minha descida na maior montanha-russa aquática do mundo (com medo mesmo e sabor de vitória no final), posso confirmar que o complexo faz jus ao ditado citado no início desta reportagem. Me banhei nas águas do parque e quero voltar.
As entradas antecipadas para o Beach Park custam a partir de R$ 265 e podem ser adquiridas no seu site. O parque fica localizado na Praia das Dunas, no município de Aquiraz, a cerca de 30 minutos de carro de Fortaleza. https://ingresso.beachpark.com.br/
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