
Dois eventos políticos em Brasília incendiaram o debate público nacional e geraram turbulência massiva nas redes sociais nos últimos dois dias: a rejeição de Jorge Messias à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal pelo Senado, na quarta-feira, 29, e a derrubada dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria pelo Congresso, nesta quinta-feira, 30.
Um relatório publicado pelo instituto Democracia em Xeque, que monitora o debate político nas redes sociais, indica que as pautas geraram mobilização massiva na internet. Em cerca de 36 horas, o nome de Jorge Messias foi citado 1,2 milhão de vezes e provocou 10,2 milhões de interações (entre curtidas, comentários e compartilhamentos), enquanto o termo “PL da Dosimetria” foi mencionado ao menos 142.000 vezes, gerando mais de 867.000 interações.
De acordo com o monitoramento, perfis ligados à direita concentraram esforços pesados em pressionar os senadores a recusar a indicação de Messias ao STF e, após a votação, enquadrar a rejeição como uma derrota severa para o governo Lula — mais de 70% dos posts que mencionavam o advogado-geral da União continham a hashtag #VotouMessiasPerdeuEleição, sinalizando um trabalho de campanha coordenado pela oposição para influenciar o voto dos parlamentares.
Também no campo da direita, a derrubada dos vetos ao PL da Dosimetria foi amplamente enquadrada como um sinal de enfraquecimento de Lula e, aliada à recusa de Messias, repercutida como uma sequência de derrotas que fortalecem a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Os dois episódios consolidam um discurso de enfrentamento institucional em que o Congresso se apresenta como contrapeso ao Executivo e ao STF, com projeção direta sobre a disputa de 2026”, diz Alexsander Dugno Chiodi, coordenador de relatórios do Democracia em Xeque.
Esquerda critica articulações no Senado e defende mulher negra no STF
Já entre atores políticos de esquerda, prevaleceram as críticas aos parlamentares como antagonistas do governo Lula e da democracia, com presença constante da hashtag #CongressoInimigoDoPovo nos posts deste campo ideológico. Aliados do atual presidente focaram em denunciar as articulações bolsonaristas no Senado para rejeitar o nome de Messias e criticaram a derrubada dos vetos à dosimetria como uma forma velada de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que será beneficiado pela redução da pena por golpe de Estado e poderá deixar a prisão dentro de dois anos.
Em meio às críticas, no entanto, houve setores da esquerda que mudaram o foco para defender uma nova indicação de Lula ao STF com maior representatividade junto às minorias sociais — neste contexto, segundo o monitoramento, destacaram-se as menções à jurista Vera Lúcia Santana Araújo, ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “No campo progressista, a resposta digital se dividiu entre denunciar a articulação do Senado contra o governo e defender a indicação de uma mulher negra ao STF como reposicionamento”, ressalta Chiodi.