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Um esquema que fraudava tratamentos para crianças que vivem com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi alvo de uma operação nesta quinta-feira, 30, em São Paulo. Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) cumpriram 12 mandados de busca e apreensão na capital e três cidades paulistas.
Batizada como Operação Descredenciamento, a ação teve como alvo um grupo criminoso que, envolvendo clínicas voltadas para crianças que vivem no espectro, simulava atendimentos, emitia laudos médicos falsos e fazia o ingresso de ações judiciais para obrigar operadoras de saúde a custear procedimentos inexistentes ou com valores inflados. Além da capital, os integrantes do esquema atuavam nas cidades de Barueri, Mogi das Cruzes e Jacareí.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a prática do grupo resultava em expressivos prejuízos financeiros e sustentava o funcionamento da fraude. Foram destacados cerca de 40 policiais para participar da operação.
“Além dos danos patrimoniais, a apuração destaca a gravidade do esquema ao atingir diretamente crianças e suas famílias, submetidas a diagnósticos indevidos e intervenções terapêuticas inadequadas, em afronta a princípios fundamentais de proteção e boa-fé”, disse, em nota, a Polícia Civil.
Entidade repudia fraude em clínicas
Em nota, a entidade Autistas Brasil repudiou as práticas indevidas praticadas pelas clínicas envolvidas no esquema criminoso e destacou o risco da exposição de crianças e adolescentes a intervenções inadequadas e sem respaldo científico.
“A gente não pode tratar o autismo como um espaço para oportunismo. Quando uma clínica oferece práticas sem base científica ou manipula diagnósticos, ela não está só cometendo um crime, está colocando em risco o desenvolvimento de crianças e violando direitos básicos dessas famílias”, afirmou Arthur Ataide, vice-presidente da Autistas Brasil.
A entidade reforçou que o tratamento do Transtorno do Espectro Autista deve se basear em diretrizes e evidências científicas, manter acompanhamento multiprofissional e respeitar as especificidades de cada indivíduo.
“Qualquer abordagem que prometa resultados rápidos, padronizados ou sem respaldo técnico deve ser vista com extrema cautela”, destacou.