
A taxa de desemprego subiu para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feiram 30, pelo IBGE. O resultado representa alta de 1,0 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, encerrado em dezembro (5,1%), e ligeiramente acima do consenso do mercado, que estimava a taxa de desemprego em 5,8% para o período. Desde o trimestre encerrado em maio de 2025 o indicador não superava o patamar de 6%.
Apesar da alta, a taxa de desocupação é a menor para o primeiro trimestre desde 2012, quando se iniciou a Pnad Contínua. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a taxa está 0,9 ponto percentual menor.
A população desocupada chegou a 6,6 milhões de pessoas no período, com alta de 19,6% frente ao trimestre anterior — o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas em busca de trabalho. Na comparação anual, no entanto, o contingente recuou 13,0%, com 987 mil pessoas a menos procurando ocupação.
Apesar da alta da taxa de desocupação no trimestre, o mercado de trabalho segue em patamar historicamente aquecido, com desemprego próximo das mínimas da série e renda em níveis recordes. O movimento recente reflete, em grande medida, fatores sazonais e uma acomodação após um período de forte geração de vagas ao longo de 2025.
O quadro reforça a leitura de resiliência do emprego mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, com juros ainda elevados – apesar do corte de 0,25 ponto, a Selic segue em 14,5% ao ano. Ao mesmo tempo, a combinação de mercado de trabalho apertado e renda em alta tende a sustentar a atividade, o que pode limitar o espaço para cortes mais agressivos de juros à frente.
Em ano eleitoral, o desempenho do mercado de trabalho segue como um dos principais indicadores acompanhados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Trimestre
Pela metodologia do IBGE, é considerado desocupado aquele que não está trabalhando, mas segue em busca de uma vaga. Para a leitura do mercado de trabalho, é importante observar também o comportamento da população ocupada, isto é, aqueles efetivamente empregados. Esse contingente somou 102,0 milhões de pessoas no trimestre encerrado em março, com recuo de 1,0% na comparação trimestral — o equivalente a menos 1,0 milhão de trabalhadores. Frente ao mesmo período de 2025, porém, houve alta de 1,5%.
O recuo da ocupação na margem foi disseminado entre os setores. Não houve crescimento em nenhum dos dez grupamentos de atividade analisados pela pesquisa, com destaque para as perdas em Comércio (-1,5%), Administração pública (-2,3%) e Serviços domésticos (-2,6%), que juntos eliminaram mais de 870 mil postos de trabalho no trimestre.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o movimento reflete fatores sazonais. “A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento, seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano, seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporários no setor público”, afirmou.
Informalidade
A taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada no trimestre encerrado em março, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores informais. O indicador recuou tanto na comparação trimestral quanto na anual.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo trabalhadores domésticos) ficou em 39,2 milhões, sem variação significativa no trimestre e com alta de 1,3% na comparação anual. Já o contingente de empregados sem carteira assinada recuou 2,1% na margem.
O número de trabalhadores por conta própria permaneceu estável no trimestre, em 26,0 milhões, e avançou 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Renda
A massa de rendimentos do trabalho, que corresponde à soma das remunerações de todos os trabalhadores, atingiu novo recorde no trimestre encerrado em março, chegando a R$ 374,8 bilhões. O indicador ficou estável na comparação trimestral e avançou 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O rendimento médio real habitual também renovou o maior valor da série histórica, alcançando R$ 3.722. Houve alta de 1,6% frente ao trimestre anterior e de 5,5% na comparação anual.
Segundo Beringuy, o avanço da renda está associado à mudança na composição do mercado de trabalho. “A média de rendimento do trabalho atual registrou alta em função da redução de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos”, explicou.