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Nesta quinta-feira 30, estreia “O Diabo Veste Prada 2”. Muito aguardado, o filme chega cercado por um frisson raro que vai muito além de reencontrar antigos personagens como a jornalista Andy Sachs, de Anne Hathaway, a editora de moda Miranda Priestley, de Meryl Streep ou a assistente de luxo, Emily, de Emily Blunt. Também não é apenas revisitar um universo glamouroso. É mais do que isso: é voltar ao coração de uma indústria onde o jornalismo também dita ritmo, constrói desejo e transforma em discurso. À medida que a contagem regressiva avança, cresce também a vontade de rever filmes que ajudaram a consolidar esse imaginário — alguns óbvios, outros nem tanto. Veja quatro filmes que tratam dessa dobradinha leve e interessante, que acabou virando tendência no cinema.
No primeiro “O Diabo Veste Prada”, de 2006, o arquétipo se estabelece. A redação como campo de provas, a moda como linguagem de poder. Entre o olhar atônito de Andrea e a precisão quase cirúrgica de Miranda, o filme captura o momento em que o jornalismo deixa de ser observador e passa a ser agente ativo da indústria que cobre.

“Como Perder um Homem em 10 Dias” (2003) segue por outro caminho — mais leve, mas igualmente revelador. A redação aqui é laboratório de experiências sentimentais e sociais, em que pautas viram experiências vividas. A personagem de Kate Hudson encarna esse jornalismo performático, em que escrever é também atuar.

Menos lembrado, mas essencial, “Prêt-à-Porter” (1994) é quase um desfile caótico filmado. Jornalistas como Kitty Potter, de Kim Basinger, e Anne Eisenhower, interpretada por Julia Roberts, circulam entre egos inflados e coleções efêmeras, tentando traduzir o indizível. O filme expõe a tensão constante entre quem cria e quem narra — e como, muitas vezes, esses papéis se confundem.

E “De Repente 30” (2004) traz o universo das revistas de moda sob um olhar mais pop e irresistivelmente nostálgico. A redação é competitiva, visualmente encantadora e movida por tendências, capas e disputas de poder. A personagem de Jennifer Garner descobre, no meio desse turbilhão editorial, que sucesso e autenticidade nem sempre caminham juntos — um dilema que atravessa qualquer geração de jornalistas.
