
A Meta Platforms registrou a perda de 20 milhões de usuários ativos diários no primeiro trimestre de 2026, ao mesmo tempo em que anunciou uma expansão agressiva de seus investimentos em inteligência artificial.
A combinação de retração na base e aumento de gastos evidencia o momento de transição da empresa, que tenta reposicionar seu modelo de negócios em meio à corrida tecnológica liderada por IA.
Segundo a companhia, o indicador “Family daily active people”, que reúne usuários de Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger, caiu em relação ao trimestre anterior.
A empresa atribui a queda a interrupções de internet no Irã e a restrições ao WhatsApp na Rússia, mas não detalha quais plataformas foram mais afetadas.
Queda levanta dúvidas sobre engajamento
A forma agregada como a Meta divulga seus dados dificulta identificar onde está a perda de tração.
Analistas veem a métrica como pouco transparente, já que mascara o desempenho individual de cada rede, especialmente em um cenário de competição mais acirrada com plataformas emergentes.
A desaceleração ocorre em um momento em que redes sociais enfrentam mudanças estruturais no comportamento do usuário, com maior fragmentação de audiência e avanço de formatos baseados em vídeo curto e inteligência artificial.
Investimento em IA acelera
Apesar do recuo na base, a empresa anunciou que elevará seus investimentos totais em 2026 para entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões (R$ 625 bilhões a R$ 725 bilhões), cerca de US$ 10 bilhões adicionais em relação à previsão anterior.
O aumento está ligado principalmente à expansão de infraestrutura para IA, incluindo data centers e capacidade computacional.
A diretora financeira Susan Li afirmou que a companhia subestimou a demanda por processamento nos últimos anos, o que exigiu uma revisão de estratégia.
A aposta segue a tendência de gigantes de tecnologia que disputam liderança em inteligência artificial, segmento que exige investimentos massivos e contínuos.
Receita cresce no ritmo mais rápido em anos
Mesmo com a queda de usuários, a Meta registrou crescimento expressivo de receita. O faturamento avançou 33% na comparação anual, passando de US$ 42,3 bilhões para US$ 56,3 bilhões (de R$ 211 bilhões para R$ 281 bilhões), no ritmo mais acelerado desde 2021.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela publicidade digital, que continua sendo o principal motor financeiro da empresa, beneficiada por melhorias em segmentação e uso de IA.
Reality Labs segue no vermelho
O braço de realidade virtual e dispositivos vestíveis, Reality Labs, permanece como um dos principais pontos de pressão sobre os resultados.
A divisão registrou prejuízo operacional de US$ 4,03 bilhões (R$ 20,1 bilhões) no trimestre.
A unidade já acumula perdas bilionárias nos últimos anos e passou por duas rodadas de demissões desde janeiro, refletindo dificuldades em transformar o metaverso em um negócio rentável no curto prazo.
Reação do mercado
Após a divulgação dos resultados, as ações da Meta Platforms chegaram a cair mais de 7%, indicando cautela de investidores diante da combinação de gastos crescentes e sinais de perda de usuários.
O que está em jogo
A Meta atravessa um momento decisivo.
De um lado, mantém forte geração de caixa com publicidade; de outro, enfrenta pressão para provar que seus investimentos em inteligência artificial e novas plataformas serão capazes de sustentar o crescimento no longo prazo.
A queda na base de usuários, ainda que explicada por fatores pontuais, adiciona incerteza a essa equação.
Para o mercado, a questão central passa a ser se a empresa conseguirá transformar sua aposta bilionária em IA em uma nova fonte de receita, antes que o engajamento em suas plataformas tradicionais mostre sinais mais consistentes de erosão.