
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, é alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 29, contra o braço financeiro do Comando Vermelho (CV). Também são cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão contra o seu pai, Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, líder histórico da facção; sua mãe, Márcia Nepomuceno; e seu irmão, Lucas Nepomuceno. Todos — com exceção de Marcinho, preso há três décadas — são considerados foragidos. Antes da ação desta quarta, Oruam já era procurado.
Com mais de 12 milhões de ouvintes mensais no Spotify, Oruam, de 25 anos, tem um longo histórico de problemas com a Justiça. Em julho do ano passado, agentes foram até a casa do cantor para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor, acusado por atos infracionais análogos a roubo e tráfico de drogas, que estava no local. De acordo com a Polícia Civil, o adolescente seria integrante de uma facção criminosa, um dos maiores ladrões de veículos do estado e o segurança pessoal do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca.
Oruam teria, então, incitado a resistência policial ao lado de cerca de oito pessoas. As testemunhas relataram que o grupo lançou pedras contra os agentes, lesionando o policial civil Alexandre Alves Ferraz — que aparece ferido nas imagens anexadas aos autos — e danificando uma viatura. A ofensiva permitiu que o adolescente, considerado foragido, escapasse do cerco.
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No todo, o rapper é acusado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal, incluindo denúncias por duas tentativas de homicídio qualificadas — relacionadas às agressões contra os policiais. Foi preso em três vezes no ano passado. Em setembro, ficou 69 dias detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio.
Em fevereiro deste ano, ele passou a ser considerado foragido após ter o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por 66 violações à tornozeleira eletrônica. O dispositivo foi desligado por intervalos de até 10 horas entre 30 de setembro e 12 de novembro do ano passado. Na decisão do STJ, o ministro Joel Ilan Paciornik salientou que o artista “denota não guardar qualquer respeito, não somente às autoridades policiais, mas também às decisões judiciais”. Em seguida, juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, expediu um mandado de prisão preventiva.
Poucos dias após ser considerado procurado, Oruam lançou um novo clipe: Freestyle de um Foragido. Em um trecho, parece fazer uma reflexão sobre o mandado de prisão contra ele: “F*** quando o monstro ‘tá’ tentando te pegar, tipo um sonho longo, eu não consigo acordar. Até tento me recordar a última noite que eu dormi sem ansiedade no meu peito”. Sua defesa havia apresentado à Justiça, horas antes, um laudo psíquico, no qual apontou que o rapper apresenta “quadro clínico compatível com transtorno de ansiedade associado a transtorno depressivo moderado”.