
Líder histórico do Comando Vermelho (CV), Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 29, contra o braço financeiro da facção. As investigações apontaram que o núcleo é “responsável pela movimentação e ocultação de recursos oriundos do tráfico de drogas”. Outros membros da família são procurados no âmbito da ação: sua mulher, Márcia Nepomuceno, e seus filhos Lucas e Mauro Davi Nepomuceno — o último, mais conhecido com o rapper Oruam.
“Segundo os agentes, recursos provenientes do tráfico eram repassados por lideranças da facção a operadores financeiros, que realizavam a fragmentação dos valores por meio de contas de terceiros, além de utilizá-los para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial”, informou a Polícia Civil em nota. “Também foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, evidenciando a origem ilícita dos recursos.”
O esquema criminoso, que inclui lavagem de dinheiro, conta com vários integrantes. As diligências revelaram, ainda, diálogos entre Carlos Costa Neves, o Gadernal, uma das principais lideranças do CV, e um miliciano. As conversas reforçavam a influência de Marcinho “como liderança central da facção, mesmo após anos de encarceramento”, acrescentou a corporação.
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Marcinho nasceu no bairro Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, em fevereiro de 1970, mas logo se mudou para São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Seu pai foi assassinado e sua mãe foi presa quatro vezes, o que levou com que ele e seus três irmãos fossem criados com uma tia. Ele entrou para o mundo do crime aos 13 anos para conseguir comprar roupas de marca. Mais tarde, entrou para o tráfico de drogas e, pouco a pouco, escalou a hierarquia do Comando Vermelho.
Até hoje, ainda é considerado um dos principais líderes da facção. Marcinho foi preso em agosto de 1996, sendo condenado a 36 anos de prisão por matar e esquartejar dois traficantes rivais naquele ano — o que significa que nunca conviveu com Oruam, de 26 anos. De dentro da cadeia, manda e desmanda nos rumos da organização criminosa, segundo investigações policiais.
Assim como o pai, Oruam tem um longo histórico de problemas com a Justiça. No todo, é acusado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal, incluindo denúncias por duas tentativas de homicídio qualificadas — relacionadas às agressões contra os policiais. Foi preso em três vezes no ano passado. Em setembro, ficou 69 dias detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio. Em fevereiro, passou a ser considerado foragido após ter o habeas corpus revogado por 66 violações à tornozeleira eletrônica.